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Festival de Música da Póvoa Afinado na Grandeza e nas Limitações

Festival de Música da Póvoa Afinado na Grandeza e nas Limitações

9 Julho 2020 | 23:19

Depois de alguma hesitação, o Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim (FIMPV) foi apresentado, na Quinta-feira, na Sala de Actos do Cine-Teatro Garrett, pelo Director Artístico e programador, Raúl da Costa, e pelo Vice-Presidente e Vereador da Cultura, Luís Diamantino. O primeiro grande evento cultural, depois da longa travessia, regressa com a sua 42ª edição e deverá acontecer entre os dias 9 e 24 de Setembro, afastado pouco mais de um mês da data habitual.

Mais uma vez a nota de entrada do Festival para o primeiro dia, no Garrett, pelas 21h00, terá o som das palavras do musicólogo Rui Vieira Nery, numa conferência que tentará traduzir em fado o mundo e a sua diva Amália Rodrigues. No dia seguinte, na Igreja Matriz, pelas 21h45, hora de todos os concertos, com a direcção musical de Massimo Mazzeo, acontece uma estreia no Festival, com o agrupamento instrumental, Divino Sospiro. A soprano Raquel Camarinha e o contratenor Andreas Scholl vão encantar em vozes.

No sábado, dia 12 de Setembro, no Garrett, o pianista Kirill Gerstein vai interpretar Claude Debussy e Franz Liszt. Dois dias depois, é o Barroco de Johann Sebastian Bach, que se vai ouvir nas vozes de Ex-Hilliard Ensamble acompanhadas pelo aclamado violinista e maestro alemão Christoph Poppen.

Na Igreja Românica de Rates, a 16 de Setembro, a violoncelista alemã Anja Lechner vai partilhar o palco com a guitarra de Pablo Márquez, para elevar nomes como Schubert, Oscar Strasnoy ou Heitor Villa-Lobos. No dia seguinte, no mesmo palco vai estar o quarteto de cordas alemão, Artemis Quartet, a traduzir da sua veia Mendellsohn, Vasks e Beethoven. No dia 18, na igreja Matriz celebra-se os 50 anos de carreira de clarinetista António Saiote, que terá a companhia do Quarteto Verazin e a musica de Arvo, Beethoven e Brahms.

No Cine-Teatro Garrett, a 20 de Setembro, é a vez do agrupamento Drumming Grupo de Percussão, com Luís Tinoco, Jesús Rueda e Eduardo Patriarca. Este concerto integra a final do 13º Concurso Internacional de Composição da Póvoa de Varzim, com estreia mundial das duas peças selecionadas e ainda a encomenda do FIMPV, ao compositor Luís Tinoco. Dois dias depois no mesmo palco o vencedor do prémio Jovens Músicos 2019, o clarinetista Telmo Costa, que apenas com 20 anos ganhou um lugar na orquestra Gulbenkian, vai ter a seu lado o Pianista Rafael Kyrychenko, que também conquistou o prémio no mesmo ano. A música é de Scriabin, César Frank, Debussy e Brahms. O concerto que encerra o Festival acontece na igreja matriz e vai ficar marcado pelo regresso do agrupamento Kolner Akademie, mas também pela estreia do oboísta Albrecht Mayer.

Depois de terem sido adaptadas todas as normas indicadas pela Direção-Geral da Saúde, as limitações no número de espectadores entristecem Luís Diamantino mas o importante é dar continuidade ao Festival: “É pena, porque vamos ter belíssimos espectáculos que só algumas pessoas poderão assistir. No entanto o festival terá transmissão através da RTP e penso que vamos desbloquear de alguma forma esta ausência. O festival vem na continuidade daquilo que temos feito ao longo dos anos e esperamos realizar todos estes concertos que temos programado para Setembro”.

Com alguma felicidade os dois maiores festivais que acontecem na Póvoa de Varzim, merecem para o Vereador da Cultura o aplauso dos poveiros: “Recordo que na crise económica (intervenção da Troika) houve alguns festivais literários que pararam, mas nós adaptamo-nos e conseguimos realizar o festival literário Correntes d’ Escritas e estamos a fazer o mesmo com este festival, adaptando para prosseguir. Vamos resistindo, o que é próprio dos poveiros, resistir à fúria do mar e vencer”.
 
Também o Director Artístico, Raul da Costa, que nunca desistiu de acreditar na possibilidade de realizar o evento, reconhece que é o festival possível mas onde não vai faltar qualidade e excelência: “Os ensambles maiores não estão no Festival, foram automaticamente passados para o próximo ano. Temos vários planos B,C e D, para que os músicos estrangeiros cheguem cá sem problemas. Vai ser um evento muito influente e emocional, creio que para muita gente”.

A obrigatória redução de espectadores no Festival vai ser compensada pela gravação e transmissão de concertos pela RTP e Antena 2. “É um Festival de música que faz parte da cultura de hoje e sabemos que as gravações são algo que vai ficar para sempre. A grande maioria do público segue há muitos anos o Festival e infelizmente não vai estar lá. Ter a RTP a querer gravar um concerto no Garrett e dois concertos na Igreja Mátris para emissão no canal 2, vai dar outra vida ao Festival e é importante para a Póvoa de Varzim”, reconhece Raul da Costa.

Quatro décadas de história já contadas e em Setembro a 42ª edição do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim para contar.

Programa Completo do 42º FIMPV (https://www.cm-pvarzim.pt/content/uploads/2020/07/programa-fimpv.pdf)
Os bilhetes para os concertos, com o preço único de 5 euros, estarão à venda exclusivamente através da bilheteira online BOL, a partir do dia 1 de Agosto.

 

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