Voz da Póvoa
 
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Estado de Inquietação

Estado de Inquietação

7 Abril 2020 | 16:19

Há um Estado de Emergência a pedir a sua ausência. A inquietação cresce ao ritmo do medo, das perdas. É por isso que em tempos de guerra, afinal, é preciso desinfectar as armas. Ao inimigo, resta a sua distracção, a sua displicência ou a arrogância de pensar que esta é uma “gripezinha”.
A ignorância foi sempre inimiga da vida e condena a sabedoria ao ostracismo. Os ditadores sempre gostaram de nos ver encerrados em casa. Quando se sentem incomodados pela sua liberdade declaram o recolher obrigatório e colocam o exército nas ruas. É no mínimo estranho, agora que a sua saúde lhe pede para ficar em casa, estes “monstros” estão a convidá-lo a sair, a sociabilizar-se, a infectar-se, a despedir-se da vida da forma mais estúpida.  
Eu também quero sair de casa, no dia em que a rua volte ao seu desígnio, levar-me em todas as direcções, livre do invisível inimigo, apenas aprisionado ao sentido de responsabilidade que me libertou e abriu a mesma porta ao outro, que agora me abraça, me beija, me diz bom dia, boa tarde, boa noite.

José Peixoto

 

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