Voz da Póvoa
 
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Com que Voz

Com que Voz

23 Julho 2020 | 15:24

Bastaria ouvi-la nesta canção para reconhecer a voz, que se tornou única e eterna. Depois, conseguiu elevar os poetas como ninguém. Escolho o poema “Fado Português” nascido da pena de José Régio, com musica de Alain Oulmen. Quantos leram o poema? De certeza, muitos mais ouviram.

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Amália Rodrigues nunca fez questão de fazer grandes celebrações do seu aniversário. Na biografia que escreveu com a preciosa ajuda de Vítor Pavão dos Santos, a VOZ Amália admitiu que não conhecia o dia da primeira luz do mundo. «Uns diziam que nasci no dia 1 de julho, outros no dia 12, outros a 4 ou 14. Quando tive de tirar papéis para fazer exame, vinha 23 de julho».

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