Voz da Póvoa
 
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Vila do Conde Entre Rio e Mar se Mostra

Vila do Conde Entre Rio e Mar se Mostra

Vila do Conde | 18 Junho 2021

Um certo dia, Ruy Belo em seus olhos viu “o lugar onde o coração se esconde”, depois assumiu em verso que “é sobretudo agosto vento música raparigas em cabelo, feira das sextas-feiras, gado pó e povo. É onde se consente que nasça de novo aquele que foi jovem e belo, mas o tempo a pouco e pouco arrefeceu”. O poeta foi mais longe nas palavras e revelou que entre o rio e o mar “o lugar onde o coração se esconde e a mulher eterna tem luz na fronte, fica no norte e é Vila do Conde”.

Se uma cidade inspira o poeta, quisemos saber da voz de quem a governa onde se inspira, para dentro da sua diversidade a tornar cada vez mais apetecível e procurada.

Maria Elisa Carvalho Ferraz é licenciada em Química e leccionou no ensino secundário entre 1972 e 1998, ano em que foi eleita, pelo PS, Vereadora no Executivo da Câmara Municipal de Vila do Conde, cargo que ocupou até Outubro de 2013. A partir dessa data, assumiu a presidência da Câmara Municipal de Vila do Conde, no primeiro mandato eleita pelo PS e 4 anos depois, pelo movimento independente NAU (Nós Avançamos Unidos).

A espectativa de nos vermos livres da pandemia, mas também os investimentos na modernização administrativa, foram o mote para uma revelada conversa: “Desde o início deste mandato, resolvemos pegar em mãos todas as questões relacionadas com a modernização, genericamente tornar ausente o papel nas nossas relações internas e com o exterior, um trabalho que está praticamente pronto. Já recebemos os processos urbanísticos pela via digital e o mesmo acontece internamente com a circulação dos documentos. Em Maio, apresentaremos publicamente esse projecto de modernização, que passou por uma fase de estudo, de teste e neste momento já está a operacionalizar-se em muitas áreas. Todos os vilacondenses, no universo das pessoas que se relacionam com a Câmara, poderão aceder a um suporte informático que nas diversas áreas estará disponível. A pessoa pode tratar dos seus assuntos sem sair de casa. Outra matéria que considero muito importante e se vai instalar muito brevemente é o balcão único, que encaminhará a pessoa para a solução dos seus problemas”.

A intenção é, atender a pessoa sem qualquer relação com as tecnologias, como explica Elisa Ferraz: “O Balcão Único é uma presença física de encaminhamento, precisamente para as pessoas que não fazem nem sabem utilizar as novas tecnologias, embora todas as Juntas de Freguesia se tenham preocupado em facultar aos seus conterrâneos a resolução dos problemas pela via digital. De qualquer modo, quem queira continuar a ser atendido presencialmente, passaremos a disponibilizar o Balcão Único, de modo a possibilitar um relacionamento e acolhimento humano para dar respostas às pessoas, nos documentos que precisem tratar”.

Comportamentos Ambientais na Melhoria da Qualidade de Vida

A recolha selectiva porta a porta, os ecopontos. A relação e reacção das pessoas às novas mudanças na recolha dos resíduos e na sua participação na reciclagem: “Temos que continuar a investir na sensibilização, desde as escolas, porta a porta ou publicitando informação, para que as pessoas interiorizem que os problemas ambientais são de todos nós e das gerações que aí vêm. Proteger o ambiente é defender as gerações mais jovens. Para além da reciclagem básica do papel, do plástico, do vidro e do indiferenciado, porta a porta, no dia 12 de Abril, colocámos Ecocentros móveis no município, situados na cidade, em Árvore, em Mindelo e Vila Chã, que irão percorrer todas as freguesias, sendo mais uma forma de sensibilização, para que materiais, como os CD e DCD, rolhas de cortiça, lâmpadas, entre outros materiais, que por norma eram colocados no lixo indiferenciado, possam agora ser depositados nestes Ecocentros. Recordo que na recolha porta a porta temos mais de dois terços da cidade coberta com esse tipo de recipientes, que permitem em nossa casa fazer a separação, depois há a recolha de acordo com um calendário estabelecido, que está a ter muito sucesso”.

 A Reserva Ornitológica do Mindelo, foi também palco de investimentos que, para Elisa Ferraz, visam a sua protecção: “É um espaço extraordinário que Vila do Conde tem no seu território, ligada à figura de Santos Júnior, Professor Catedrático da Universidade do Porto, criada em 1957, sendo a primeira área protegida em Portugal. A Reserva, efectivamente passou durante anos por algum abandono. Nos últimos anos, temos feito um trabalho no sentido de proteger a paisagem e permitir ao mesmo tempo que seja visitada, mas sem uma invasão que de algum modo possa prejudicar as espécies que lá temos, algumas únicas. Esta vontade de preservar o meio natural, mas também de valorizar os nossos espaços ajardinados ou o Parque da Cidade, é um complemento na preservação ambiental e fundamental para a humanidade”.

Ainda numa relação com o ambiente, o alargamento de toda a rede de água potável pelas freguesias: “Quando tomei posse neste mandato, revisitámos a rede de infraestruturas de água e saneamento que tínhamos no concelho e focámo-nos em algumas freguesias que efectivamente tinham ficado no esquecimento e saído do plano de intervenção da concessionária: Outeiro, Parada, Bagunte e Ferreiró. Temos que ter um olhar de acordo com as necessidades das populações, sabendo que num concelho com 30 freguesias, efectivamente um território extenso, onde há condições naturais e morfológicas que impedem o acesso ou dificultam a implantação, principalmente o saneamento, que é a parte mais difícil. Tentámos, onde há agregados populacionais de maior dimensão, estender a rede. Este é um trabalho de entendimento entre a concessionária e a autarquia, que para nós é primordial, ao qual temos dado uma enorme atenção. Concluiremos o mandato, sabendo que o concelho não está coberto, haverá lugares inacessíveis, mas todos aqueles espaços onde considerámos prioritária a intervenção, efectivamente aconteceu. No entanto, há muitos agregados habitacionais com as infraestruturas à porta e ainda não fizeram a ligação, mas nós negociámos com a concessionária, para que essas ligações fossem gratuitas”.

Um concelho tão extenso e composto por uma certa diversidade gera em Elisa Ferraz o desafio de responder às reivindicações ou solicitações das freguesias: “Eu tenho um percurso de vida que me aproximou das freguesias todas. Leccionei quase 30 anos e estou ligada a uma instituição de solidariedade Social que foi criada em 1976. Quando vim para a autarquia, como vereadora em 1998, reforcei esses laços. Posso dizer com carinho e uma satisfação enorme que não há freguesia onde eu vá e que não encontre esta pessoa ou aquela que me conhece e com quem convivi ao longo da vida. Naturalmente, como Presidente da Câmara, tenho uma noção muito clara do que é a realidade de cada freguesia, uma vantagem enorme para quem exerce este cargo. Em concreto, estas são as relações humanas, mas há uma relação de trabalho, Câmara/executivo - Juntas de freguesia/populações”.

E recorda: “Institui no meu anterior mandato o programa Câmara Fora de Portas. Ou seja, no início do mandato visito todas as freguesias com os senhores e as senhoras presidentes de Junta, normalmente à tarde, vou falando com as pessoas e tenho uma sessão pública à noite, onde convido as pessoas a revelarem o que consideram prioritário para aquela freguesia: o arranjo de um arruamento, a criação de um espaço cultural ou social, entre outros anseios. Esses assuntos ficam plasmados num documento e dentro do espaço de um mandato, assumimos um compromisso com as populações do que é tratado, nessa sessão da Câmara Fora de Portas, como prioritário para a freguesia. Aí, comprometo-me com o meu executivo, no final do mandato revisitar cada freguesia e confirmar às populações que o prometido se transformou em obra. Essas visitas recomeçarão agora no final de Abril, porque vou percorrer as 30 freguesias em sessões públicas, algo muito exigente, mas também muito gratificante. Depois temos tudo o que diz respeito à rede viária, às escolas, habitação social, apoio às instituições de solidariedade social, que é uma extensão de todo este trabalho nas freguesias”.

A Educação é o Pilar da Economia e de Toda a Cultura

As alterações ou obras no Parque Escolar são de primordial importância para a oferta de um ensino exemplar: “Para além dos seis centros escolares muito modernos e de acordo com as exigências do ensino actual, temos ainda escolas ancestrais em muitas das freguesias, que precisam permanentemente de manutenção. Temos um concelho com cinco agrupamentos de escolas, dos quais um mega agrupamento com duas escolas secundárias. Nós temos que ter uma visão de acompanhamento permanente dessas infraestruturas, daí termos criado um serviço directamente afecto à sua manutenção. No sábado inaugurámos a requalificação da Escola dos Correios, que foi aberta em 1948 e hoje se transformou num centro escolar da última geração”.

Vila do Conde tem um legado monumental de excelência, que obriga a uma atenção especial na sua conservação reconhece Alisa Ferraz: “Os edifícios que temos e que fazem parte do nosso património edificado são a memória deste concelho e constituem a nossa identidade. A atenção que temos por todos os monumentos espelha a vontade de continuarmos a respeitar a história. De uma maneira geral, são edifícios qualificados como Património Nacional ou ligados à igreja, mas acompanhamos sempre as obras de intervenção, porque somos os intermediários entre estas entidades e a gestão do património aqui edificado. Por isso, procuramos que esses edifícios mantenham a sua traça e qualidade, porque são uma montra extraordinária do nosso município perante aqueles que nos visitam. É com muito agrado que refiro a entrada do Mosteiro de Santa Clara no programa Revive. A obra, embora muito complexa devido à memória e história do mosteiro, está em bom curso. Também se requalificou a igreja Matriz de Azurara, sendo a Câmara a promotora das obras na ligação igreja - património. Agora, vamos requalificar a igreja Matriz de Vila do Conde, com candidatura aprovada, é uma realidade que vai avançar. A igreja Românica de Rio Mau também deverá ser intervencionada. Aqueles edifícios históricos que estão a nosso cargo e temos muitos, a atenção é diária, porque os utilizamos em toda a nossa programação cultural, a Alfandega Régia, o Teatro Municipal, o Auditório, entre outros”.

A cidade oferece aos vilacondenses e a quem a visita, um número considerável de festivais, como Um Porto Para o Mundo, a Queima do Judas, Curtas-metragens ou o Circular. A pandemia tudo cancelou: “Reajo com muita preocupação ao que nos tem acontecido. A pandemia é grave pelas consequências a nível da doença, mas também pela incerteza que provoca nas diversas áreas. Não sabemos hoje, se efectivamente podemos levar a efeito qualquer programação cultural amanhã, tal como os nossos comerciantes ou o tecido empresarial, não sabem com o que podem contar. Para além dos festivais, tínhamos imensas festas, como o São João, os tapetes de flores, as feiras de Artesanato e da Gastronomia, todo um conjunto de acontecimentos marcantes e reconhecidos, que estamos na incerteza da sua realização. Como são acontecimentos que têm que ser programados em tempo útil, reuni com a comissão de festas, com as pessoas responsáveis pela criação dos tapetes de flores, com os responsáveis do Porto para o Mundo e, na incerteza, decidimos que não poderíamos levar por diante estes eventos. Assim sendo, dentro do possível vamos ter o nosso S. João com as iluminações, com a ornamentação das varandas, lembrando a data, os tapetes vão ser lembrados com as varandas enfeitadas, fotografias e vídeos de realizações anteriores. Quanto a Um Porto Para o Mundo será feito um filme e apresentado no Teatro Municipal. Em relação à Feira de Artesanato ainda estamos a analisar”.

Quanto ao apoio dado aos agentes da cultura de Vila do Conde, a Edil revela que “temos em acção com a Comissão de cultura que se constituiu em Vila do Conde, um entendimento. Até final deste semestre, iremos programar actividades dentro daquilo que é programável, de modo a que possamos colmatar junto dos agentes culturais as dificuldades que todos estão a atravessar e a sentir”.

Tal como o Operário a Cidade Continua em Construção

“A Pousada da Juventude que vai ocupar o Palacete Melo, nome do seu fundador, foi recuperada, mas manteve a traça do edifício, os tectos originais que existiam e está pronta a ser inaugurada, contudo a pandemia impediu-nos de o fazer. Talvez em Junho, com outra tranquilidade o possamos fazer e integrar nas Pousadas de Portugal. Relativamente às piscinas, abriram com imensa afluência, mas durante um tempo apenas funcionaram para a nossa atleta olímpica Catarina Monteiro que lá treinou sempre. Entretanto, deverá abrir também para algumas equipas prosseguirem a competição, quanto à abertura ao público em geral, ainda vamos aguardar”, refere Elisa Ferraz.

O desporto foi muito penalizado pela pandemia, mas a autarquia esteve atenta: “Temos um rio convidativo para a prática desportiva e pensamos que Vila do Conde tem todos os requisitos para ser um expoente, quer a nível nacional ou internacional, nos desportos náuticos, onde temos vários campeões. É um trabalho que vamos fazer no futuro, de acordo com o nosso plano estratégico de desenvolvimento 2020-2030. Este executivo tem apoiado desde sempre estas associações. Mesmo em tempos de pandemia, mantivemos o mesmo financiamento. Recordo que os subsídios ultrapassam os 2 milhões de euros para todas as associações, culturais, desportivas e sociais. Temos também disponibilizado espaços desportivos e o Plano de Desenvolvimento Municipal contemplou o investimento em 8 campos de futebol com a colocação de relva sintética, foram também cobertos cinco recintos desportivos. Temos estruturas para a prática desportiva que nos podemos orgulhar”.

Elisa Ferraz lembra também o projecto do Multiusos nas Caxinas: “Achámos que tinham que ter um espaço de prática desportiva disponível. Partimos da designação de Centro Comunitário, que também é desportivo e polivalente onde poderão realizar-se reuniões, conferências, congressos, espectáculos, além de que as próprias associações das Caxinas ou da cidade terão espaços de utilização, ao nível do primeiro andar. Portanto, é um espaço polivalente que está a caminhar para a sua conclusão e consideramos mais uma importante intervenção deste executivo”.

A Câmara interveio também na Igreja do Senhor dos Navegantes, mas a Edil faz questão de reforçar que, “os vilacondenses são um só em toda a sua diversidade. Por conseguinte, quando sentimos que precisam de uma intervenção da autarquia num equipamento cultural, desportivo ou religioso, nós dizemos presente. Dissemos presente na igreja do Senhor dos Navegantes das Caxinas, na igreja Matriz de Azurara ou na Igreja Matriz de Vila do Conde. Estamos atentos à degradação de alguns edifícios, nomeadamente a Capela do Socorro, que foi requalificada ao nível exterior e foi a Câmara que pagou integralmente essa intervenção. Ao executivo compete tentar responder a todos os que solicitam apoio”.

O Futuro tem Obra Marcada e um Passado para Reviver

O projecto da Seca do Bacalhau teve um travão opositor que destravou e permitiu arrancar com a sua execução: “Relativamente às vias de circulação junto da Seca do Bacalhau, temos uma zona pedonal e ciclável, desde o Forte de São João até ao monumento à Rendilheira, que está adjudicada e irá arrancar brevemente. Há também um arranjo do antigo mini golfe, frente à Capela da Senhora da Guia, onde vai nascer um parque de estacionamento a nascente, aí teremos a segunda intervenção que também estará em fase de adjudicação. A terceira e última fase é o arranjo de toda a zona alargada que temos em frente ao edifício da Seca do Bacalhau, esse projecto está pronto e vai entrar em fase de concurso. A requalificação do próprio edifício da Seca do Bacalhau, o grande armazém, entrou numa candidatura e concurso internacional. Tivemos algumas vicissitudes com a oposição que foram completamente ultrapassadas. O projecto está concluído, foi executado o plano de pormenor da Seca do Bacalhau e está tudo pronto a avançar. Relativamente à Ponte Pedonal que liga as margens do Rio Ave, sendo uma ponte, está sujeita a um conjunto de pareceres de entidades externas, mas tudo começa a estar desbloqueado. A rapidez não é a desejada, mas o projecto está feito e pensamos apresentá-lo publicamente, e lançar o concurso ainda neste mandato”.

Com um orçamento de 63 milhões de euros, Elisa Ferraz destaca que se trata, “de um investimento para o concelho como nunca existiu. Se quiserem fazer um percurso pelas nossas freguesias, vão verificar que temos obras em todas. Isso nunca aconteceu em Vila do Conde. As verbas que envolvem obras, são investimentos nas freguesias de acordo com o programa Fora de Porta e de acordo com candidaturas integradas no Plano Especial de Desenvolvimento Urbano PEDU. O projecto MasterPlan – Rede Estruturante do Concelho de Vila do Conde, requalificará 12 Estradas Municipais, num investimento de 11 milhões de euros. O nosso concelho é um todo e é nas freguesias que mais investimos, especialmente neste mandato”.

O futuro tem também prioridade: “O investimento nas respostas de âmbito social, num sentido lato, desde as necessidades imediatas à implementação de projectos que possam criar emprego e melhorar a vida das pessoas. Em segundo lugar, todas as intervenções de natureza ambiental que possamos implementar vão contribuir para o futuro do planeta. Temos que investir na melhoria das condições da água do Rio Ave, mas num projecto global, que possa colocar Vila do Conde com uma qualidade de vida de excelência. Ou seja, o futuro passa por intervenções de âmbito social e por criar no concelho, respostas ambientais, de qualificação deste concelho com a sua dualidade rural e marítima, mas é neste todo que temos que trabalhar”.

Para Elisa Ferraz o executivo que liderou, cumpriu tudo o que prometeu: “Os Vilacondenses podem analisar e tecer os seus comentários àquilo que foram estes quatro anos de mandato deste executivo. É importante que o façam. Entre os compromissos que assumi ao nível da campanha que me elegeu presidente, a dívida pública foi reduzida nestes quatro anos em cerca de 30 milhões de euros. A diminuição do IMI - nunca tinha sido feita qualquer alteração ao IMI - mas vamos chegar ao fim do mandato com a taxa mínima e instituímos também o IMI familiar. São compromissos que este executivo e esta presidente de Câmara assumiram. Apresento aos vilacondenses dados concretos. Pretendo por isso, que seja avaliado o trabalho que fiz”.

Por José Peixoto

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