Voz da Póvoa
 
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CIRCULAR Com a Metamorfose das Artes

CIRCULAR Com a Metamorfose das Artes

Vila do Conde | 18 Setembro 2021

O Circular Festival de Artes Performativas apresenta em Vila do Conde, a sua 17ª edição, entre os dias 18 e 25 de Setembro. Os espectáculos vão elevar-se nos palcos do Teatro Municipal, Auditório Municipal e no Centro de Memória. Embora, seja permitido pela Direcção-Geral da Saúde a ocupação de 75% da sala, a organização e direcção artística partilhada por Paulo Vasques e Dina Magalhães, mantem a lotação das salas reduzida para metade.

O Festival de Artes Performativas, mesmo em tempo de pandemia não foi interrompido porque aconteceu sempre com o alívio das medidas restritivas e de segurança, como fez questão de recordar na apresentação, Paulo Vasques: “No ano passado, fomos felizes ao conseguir cumprir o festival, a situação nessa altura estava mais aliviada. Foi uma edição desafiante, com algumas hesitações, mas que nos deu experiência e nos permite encarar, este ano, com mais confiança e segurança”.

Quanto ao público acredita que vai comparecer, tal como aconteceu no ano passado: “Senti que o público estava ávido por voltar a ver espectáculos ao vivo e socializar. Os festivais são também lugares de encontro e de conversa, acredito que o mesmo vai acontecer este ano com as pessoas a aderirem com ainda mais confiança ao festival. As medidas são rigorosas, não é preciso ter receios. É preciso estimular esse encontro, para que as pessoas possam continuar a usufruir da cultura”.

O Festival é o resultado de um trabalho de aturada pesquisa no mundo da criação promovendo espaços de debate e reflexão em torno da criação artística contemporânea. Mais uma vez, privilegia a apresentação e presença de autores portugueses de abrangentes linguagens, provenientes da performance, do pensamento, da dança contemporânea, do cinema ou das artes plásticas. Com um programa pluridisciplinar e experimental, há também lugar para encontros informais e conversas entre os artistas participantes e o público interessado.

O Circular apresenta várias estreias absolutas, com destaque para o espectáculo de dança “Calçada”, do coreógrafo brasileiro Volmir Cordeiro, logo na abertura do Festival. Recordamos que este espectáculo tinha sido adiado em 2020 por limitações pandémicas. Ainda mal refeito do acontecido, segue-se o projecto CZN, dos músicos percussionistas Valentina Magaletti, João Pais Filipe e do produtor Leon Marks.

Numa  co-produção com a Solar – Galeria de Arte Cinemática/Curtas Metragens de Vila do Conde, a edição deste ano do Circular inaugura no primeiro dia, a exposição “Membrana” de João Pais Filipe e Mónica Baptista, ilustrada com uma performance.

Em estreia absoluta, e a não perder nos dias 24 e 25, no Auditório Municipal, a apresentação do trabalho do coreógrafo Raul Maia, intitulado “a fala da racha”, uma criação co-produzida pelo Circular, que parte de um lugar do teatro para um enigma performativo entre a forma e o conteúdo.

Também no dia 24 de Setembro é lançado o CD “Peixinho Patriarca Percussão”, com gravações dos compositores Jorge Peixinho e Eduardo Luís Patriarca, numa co-edição Drumming GP e Circular Festival. Um regresso aclamado ao festival, de Clara Amaral para a ante-estreia da performance “She gave it to me I got it from her” que privilegia o gesto e a fala, numa sessão limitada a cinco pessoas que se repetirá por diversas vezes.
 
Entre outras, destaque para uma conferência da filósofa Maria Filomena Molder “Ensaio de decifração de um enigma: A poesia dramática é a causa finalis da vida humana e do mundo (Goethe)”. Destaque ainda para o lançamento do n.º 5 do Jornal “Coreia”, uma publicação que se dedica a produzir pensamento em torno das artes performativas. No lançamento, pode assistir à performance “Ehera Noara” de Hwayeon Nam, que activa o arquivo de uma das precursoras da dança moderna coreana, Choi Seung Hee. A encerrar o Circular, o coletivo Los Detectives apresenta, em estreia nacional e com muito humor “Pienso casa, digo silla”.

Num orçamento de 80 mil euros, o Circular Festival de Artes Performativas tem o Alto Patrocínio da Câmara Municipal de Vila do Conde e da Direção-Geral das Artes.

Dina Magalhães recorda aos interessados que as entradas têm o preço único de 5 euros: “Mantemos uma política de acessibilidade aos espectáculos, incluindo alguns gratuitos que estão devidamente assinalados no programa. Devem ser feitas reservas prévias, tendo em conta as limitações mais condicionadas pela pandemia, mas não praticamos passe geral”.

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