A cidade não se ama só no papel, por isso, em cada ano desde 1973, a Póvoa de Varzim, a 16 de Junho, acende na memória a sua elevação. Foi Macedo Vieira, como Presidente da Câmara Municipal que iniciou as celebrações do Dia da Cidade homenageando cidadão, empresas e instituições sociais, desportivas e culturais, com a entrega de medalhas de Reconhecimento Poveiro.
A cerimónia realizada pela primeira vez no Póvoa Arena serviu, acima de tudo, para a Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, homenagear com a Medalha de Reconhecimento, o poder local democrático, ou seja as Juntas de Freguesia do concelho e desta forma relembrar os 50 anos das primeiras eleições autárquicas em Portugal. Ninguém melhor que as Juntas de Freguesia explica a comunhão entre o poder e o cidadão. A distinção é extensiva “a todos os Presidentes de Junta, membros das Assembleias de Freguesia, autarcas eleitos, antigos e actuais, e às populações que, ao longo das últimas décadas, participaram activamente na construção das suas comunidades”, referiu a Edil.
A escolha recaiu em José Araújo, antigo Presidente da Junta de Balasar, para representar as doze Freguesias do concelho: “O Presidente da Junta é a primeira pessoa a quem o cidadão retorna, quando não sabe como resolver um problema. É ele que atende o telefone ao domingo à tarde. É ele que reconhece o nome da senhora que vive sozinha no fim do caminho. É ele que assume onde ela não tem voz. Sem esse trabalho silencioso, as pessoas ficam entregues à sua sorte”.
No seu discurso, o Presidente da Assembleia Municipal, Aires Pereira, recordou como vereador e como Presidente da Câmara, uma relação de quase quatro décadas com todas as Freguesias: “Acompanhei, com os respectivos Presidentes da Junta, todo o seu processo de desenvolvimento, a luta inicial pela infraestruturação dos seus territórios, onde tudo faltava, a luz, a água, a estrada, a escola, o centro cívico, e tudo era urgente”.
Mas lembrou a importância dos Presidentes das Juntas de Freguesia, “Foi graças à sua ligação ao território, e sobretudo às pessoas, que cada Freguesia conseguiu acelerar o seu processo de desenvolvimento. Testemunhei muitos actos do mais puro altruísmo, de puro amor à terra, quando os Presidentes, nos locais das obras, me apresentavam os moradores que doavam o terreno para o alargamento ou recuperação da rua, contribuíam financeiramente ou com trabalho para a execução da mesma”.
A cidade e o concelho, para Andrea Silva são “o reflexo da vibração, do suor e do orgulho de cada poveiro que durante meio século escolheu construir em vez de esperar”. Recordando que quando tomou posse em Novembro da Presidência da Câmara assumiu “cuidar da cidade e dos cidadãos”, e neste dia nada melhor que exemplificar esse compromisso reconhecendo, “quem cuidou desta cidade antes de nós. Com menos meios e sem reconhecimento político. Homenageá-los é também uma forma de afirmar que cuidar das pessoas não é somente uma opção política, é uma obrigação moral. Este ano, a homenagem reveste-se de um significado singular, não é uma pessoa em particular que hoje se distingue, nem um efeito visual, nem uma trajetória individual. O que hoje se reconhece é uma estrutura, uma ideia, um princípio que alicerça tudo aquilo que somos enquanto democracia local. É nas Juntas, nas autarquias que a voz do povo fala mais alto. É nelas que essa voz tem rosto e tem nome”.
O Hino da Póvoa de Varzim foi interpretado pelo coro Capela Marta. A cerimónia foi ainda enriquecida pela soprano Sofia Marafona, que encantou o público com “Summertime” acompanhada ao piano por Guilherme Cancujo. O evento terminou com Capela Marta & Júnior com “Saudades do Mar” de Énio Ramalho.