Voz da Póvoa
 
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Da Ruralidade à Cidade: Desarrisque o Fogo

Da Ruralidade à Cidade: Desarrisque o Fogo

Política | 1959 | 12 Agosto 2020

A acreditar no provérbio popular “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” seria ter a certeza que as recomendações e os avisos, assim como as proibições, com o tempo se resolveriam. Sabemos, infelizmente, que não. Ano após ano, os incêndios sucedem-se, repetem-se, nas mesmas matas, na mata ao lado, por limpar, meio limpa ou limpa, arde sempre.
 
A floresta é a família das árvores, não faz fogueirinhas nem queimadas, não fuma, não usa isqueiro nem fósforos ou outros meios de ignição. As suas mãos não servem para transportar gasolina, os seus braços estendem-se ao poiso dos pássaros, aos seus ninhos. São a sombra perfeita num dia de sol, o pulmão do mundo.

Quase todos sabemos disso. No entanto, caminhamos pelo fogo há décadas consecutivas, com avultados prejuízos e vítimas mortais, como se arder fosse uma sina nossa, sem culpa nem culpados. Ao fogo, juntam-se agora, as casas devolutas a vitimar pessoas, sem abrigo, delinquentes, toxicodependentes, gente que ninguém quer ver por perto, mas antes da sua tragédia de vida eram e ainda são Seres Humanos.

Devemos andar a desmiolar ou a preguiçar o cérebro de tal maneira que, apenas sentimos pena do cãozinho, do gatinho. Vamos assistir a uma Assembleia Municipal, na convicção de escutar um debate sobre os reais problemas sociais, em tempo de pandemia e só ouvimos ‘miar’ e ‘ladrar’ sobre as condições do Canil Municipal ou de corações preocupados com os animais sem abrigo, abandonados à sua feliz sorte. Querem os ditos, esterilizados, bem tratados, alimentados e se possível adotados. É que, preparar outro discurso dá trabalho e, este está na moda. Todos queremos o bem-estar dos animais. Tenho em casa os dois, o cão e o gato, e trato-os como tal, adoram-me.

Sei que divaguei, mas revelo que foi declarada a Situação de Alerta (Risco de Incêndio Rural) para todo o continente, até às 24h00, de todos os dias. Naturalmente, amanhã o país não se vai apagar, se da sua cabeça não desarriscar o fogo.

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