
Na reunião do Executivo da Câmara Municipal, de 20 de Janeiro, foram aprovados o orçamento da Varzim Lazer e novo Conselho de Administração que irá exercer funções até 2029, graças à abstenção dos dois vereadores do CHEGA e dos votos favoráveis da Presidente e dos três vereadores eleitos pelo PSD. A Aliança Poveira que soma três vereadores votou contra. Assistiram à reunião no Salão Nobre dos Paços do Concelho dezenas de trabalhadores da Empresa Municipal.
“Penso que imperou a responsabilidade, imperou o bom senso e, portanto, conseguimos criar um resultado positivo. Para mim, o dia 20 de Janeiro de 2026 é, inquestionavelmente, uma data muito importante para a decisão que foi tomada sobre o futuro da Varzim Lazer. Conseguimos aprovar, à terceira vez, o Orçamento da Empresa Municipal, um novo Conselho de Administração que deverá rapidamente entrar em funções, uma vez que o anterior estava em gestão e já demissionário e, portanto, os trabalhadores da Varzim Lazer (cerca de 70) podem respirar de alívio porque o impasse e a incerteza que constava da vida deles foi resolvido hoje, aqui, na Reunião de Câmara Municipal, com grande satisfação nossa, obviamente”.
O impasse levou a Presidente da Câmara a pedir a um especialista que já tratou de várias dissoluções das Empresas Municipais, que “explicasse a todos os envolvidos quais eram as consequências que teríamos caso a decisão de hoje não passasse pela aprovação do Orçamento”. A Edil não tem dúvidas que a dissolução “implicaria que os trabalhadores da Varzim-Lazer perdessem direitos de antiguidade, perdessem todo esse enquadramento que existia. Até porque esta dissolução era, obviamente, política. E, portanto, o Dr. Pedro Malte Costa, penso que foi bastante claro, explicou quais seriam, caso na votação não fossem aprovados estes instrumentos, qual seria o caminho a seguir para a dissolução da Empresa Municipal”. E acrescenta: “A Aliança Poveira decidiu manter o seu sentido de voto, mas o partido Chega, penso que com responsabilidade, decidiu abster-se e fazer passar o orçamento da Empresa Municipal para que não ficasse em causa todo o seu funcionamento”.
O novo Conselho de Administração da Varzim Lazer é constituído por Marta Malta, nome proposto pelo PSD; Octávio Correia, Vice-presidente da Câmara, e Mário Lima Vereador eleito pelo CHEGA. Este último lugar “foi colocado à disposição da Aliança Poveira que não o quis e, portanto, na sequência daquilo que foi a representatividade saída democraticamente das eleições autárquicas, coloquei à consideração também do Chega que decidiu aceitar para que possa conhecer também melhor o trabalho que lá é feito na Varzim Lazer, para que possa, obviamente, dar o seu contributo e aquilo que são as suas opiniões sobre possibilidades de gestão”.
João Trocado disse no final da reunião que a Aliança Poveira tinha uma solução que “salvaguardava o melhor possível o interesse dos trabalhadores e a Presidente decidiu procurar junto do Chega, aquele partido que diz ser contra os lugares e contra os tachos, é o partido que cedeu o seu voto por um lugar no Conselho de Administração da Varzim Lazer e vão ter que justificar porque o fizeram”. E acrescenta que fica tudo na mesma, “vamos manter a nossa posição, não é de agora, como foi aqui discutido, é de há muitos anos, resulta do conhecimento que temos da situação, do problema jurídico, do modelo de gestão que é desadequado e que nós queríamos ver resolvido”.
E conclui: “Fiquei convencido que já estava cozinhado, antes da reunião, o conceito da administração. Porque a senhora Presidente apresenta inclusivamente um nome novo, que não tinha sido anunciado antes, e portanto eu imagino que ela não fosse fazer o convite, não sabendo à partida que iria ter da parte do Chega a indicação de um vereador para completar o Conselho de Administração”.
Por sua vez, José Luís Vasconcelos, Vereador do CHEGA disse que “não podiam continuar a protelar esta situação. Estamos a chegar ao fim do mês. Enquanto o orçamento não fosse aprovado, teríamos pessoas que dependem dos ordenados, famílias que dependem dos ordenados, e a Câmara não tem a legitimidade para pagar enquanto o orçamento não fosse aprovado. Não faria sentido também estarmos a aprovar um orçamento e chumbar um Conselho de Administração. Nós não defendemos, de maneira nenhuma, a internalização da Varzim Lazer porque achamos que a nível de qualidade de serviço iria piorar, iria ser uma maior despesa para a Câmara, entre outras desvantagens, que são inúmeras. Portanto, analisando os prós e os contras, achamos que tínhamos que viabilizar a Empresa. Nós gostaríamos muito que a Aliança Poveira fizesse parte da solução, são três os elementos da administração, seria um do Chega, um da Aliança Poveira e outro nomeado pela Presidente”.
E sublinha: “Se nós não fizermos parte, não estivermos lá dentro, nós nunca saberemos concretamente o que é que se passa. Acho também que temos que pensar no bem comum. É o bem dos Poveiros, é o bem da Varzim Lazer. E não podemos estar aqui cegos por ideologias”. E acrescenta que “as pessoas que estavam presentes querem ver a situação delas definidas. Esta indefinição era preocupante para as pessoas”.
Aberto Concurso para Ocupação de Lojas no Mercado Municipal
Nesta Reunião foram ainda aprovados os contratos de programa anuais com as associações sociais, desportivas e culturais do concelho, e ainda processo de concurso público para a ocupação de 16 lojas interiores e exteriores do Mercado Municipal.
“Existiam uma série de espaços que estavam disponíveis para serem colocados a concurso, e nós decidimos abrir de forma a criar uma abrangência maior para que seja possível desenvolver uma nova dinâmica no mercado municipal. E, portanto, vamos aguardar as propostas que irão chegar para percebermos se, de facto, vamos conseguir criar esta nova dinâmica, mas temos esperança que consigamos criar um novo pólo de atracção e de dinamização não só do Mercado Municipal, mas também ali do centro da nossa cidade” anunciou Andrea Silva.
O encerramento do Mercado Municipal aos domingos e feriados pode ser impeditivo à captação de novos negócios, principalmente ligados à restauração: “Vamos aguardar, se os negócios que vêm ao concurso se enquadram na actual realidade do Mercado Municipal, ou se haverá necessidade, caso fique deserto, e percebamos que não é a vontade das pessoas continuar naquele modo de operação, podemos vir a avaliar a alteração do modelo de concurso”.
Por sua vez, João Trocado aprovou o concurso porque diz estar preocupado com “a situação do Mercado Municipal, porque cada vez tem menos movimento por parte de clientes, e nós não queremos o Mercado a definhar, mas que ganhe um novo fogo”. E acrescenta que “todos nós conhecemos outras experiências onde existem factores de atractividade que são âncora de movimento nos mercados municipais. Em nosso entender, porque aqui está em causa a ocupação de lojas, deveria ser equacionada a possibilidade de alterar o regulamento do Mercado Municipal e a disposição que existe para podermos ter como âncora, estabelecimentos por exemplo de restauração, e que pudessem estar interligados com a própria actividade dos comerciantes do mercado”.
A Aliança Poveira apresentou um voto de pesar pelo falecimento de Cristina Gomes, endereçou pêsames à família e aos amigos e “também às associações das quais ela fez parte, maiormente a Juvenorte”.
Por: José Peixoto