
Carlos Augusto Pinto de Meireles nasceu na Póvoa de Varzim, a 24 de Setembro de 1955 e faleceu em 20 de Dezembro de 2025. Frequentou o Liceu Eça de Queirós e licenciou-se em Geologia pela Universidade do Porto. Poveiro amante da sua terra e das suas tradições, desenvolveu uma carreira profissional de forma competente e íntegra.
Ainda estudante universitário foi um dos fundadores do grupo cultural “Octopus”, que ainda mantém na Póvoa de Varzim uma actividade de cineclube ao longo de décadas. A este grupo cultural se referiu o Dr. Adriano Cerejeira Gonçalves de Castro no Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, volume 55, 2023.
A pedido de Manuel Lopes, director da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, publicou um estudo sobre o granito do capitel românico da Igreja de Amorim, que se encontra no Museu Soares dos Reis, no Porto; esse estudo foi publicado como separata do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, volume XXXIV – 1998-1999.
Em 2011 apresentou a Dissertação de doutoramento em Geociências sobre Litoestratigrafia do Paleozóico do Sector a Nordeste de Bragança (Trás-os-Montes), que dedicou aos pais, esposa e filhos.
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa fez publicar uma nota de pesar pelo seu falecimento, que transcrevemos na íntegra:
“Nota de pesar – Carlos Augusto Pinto de Meireles, (1955 – 2025).
É com profunda tristeza que lamentamos o falecimento do geólogo Carlos Meireles, ocorrido no passado mês de Dezembro de 2025. Licenciado em Geologia pela Universidade do Porto, iniciou a sua carreira na exploração mineira, tendo trabalhado na Billiton portuguesa, S.A., antes de ingressar em 1985 nos então Serviços Geológicos de Portugal, onde permaneceu até à sua recente reforma.
Homem de campo por excelência, dedicou grande parte da sua vida à cartografia geológica, à estratigrafia, à geologia regional e à metalogenia, com especial incidência no norte de Portugal: o nordeste de Trás-os-Montes será sempre um bocadinho seu.
Para além dos seus contributos para o conhecimento das mineralizações metálicas desta região, com particular destaque para os jazigos de ferro de Moncorvo e a cromite de Bragança, o seu trabalho científico distinguiu-se pelo estudo do Paleozoico, em particular do Ordovício, contribuindo com muitos dados novos em sectores pouco ou nada estudados. Este percurso culminou com um contributo fundamental para a Litoestratigrafia do clássico Complexo Xisto-Grauváquico, um Grauváquico trabalho de referência para uma das unidades mais desafiantes da geologia portuguesa.
Deixou um legado sólido de cartas geológicas, incluindo várias, 1:50.000 e edições especiais dedicadas a áreas e municípios concretos e, mais recentemente, a folha 4 da Carta Geológica de Portugal à escala 1:200.000, que coordenou-o.
Foi também um dos pioneiros na valorização do património geológico por cá, quando o tema ainda pouco se discutia, tendo inventariado inúmeros locais de interesse geológico e efectuado trabalhos cartográficos nesse âmbito.
Colaborou várias vezes com o Geo FCUL, nomeadamente, integrando Júris de doutoramento de diplomados do Antigo Departamento de Geologia, FECUL.
Geólogo de rigor, conhecedor e cético – ver para querer! – partiu um dos bons, deixando contributos importantes ainda por concluir, que caberá agora aos que lhe eram próximos dar à estampa.
À sua família, amigos e colegas, expressamos as mais sentidas condolências, com gratidão por tudo o que nos deixou”. Pesquisa e texto de Sofia Pereira.
O doutor Carlos Augusto Pinto de Meireles deixou também uma profunda saudade em todos os que o amavam e um exemplo de carácter e de valores morais que vão escasseando nos tempos que vivemos. A nossa sentida homenagem, num abraço. Até sempre.
Por: Maria do Mar