
Antes de agarrar o louco da casa branca pelas ventas abro um parêntesis no território dos nossos figurantes onde consta já não ser preciso três Salazares. Isto porque a laborar no pacote, o patrão se concertou socialmente e o trabalhador precário coseu o estômago com as linhas vermelhas da ministra para se desabituar de comer e competir com os robôs. Haja o que houver só o assombro nos aguenta na cauda, a intenção dos estorvos políticos não é criar mais riqueza, mas tornar mais ricos os ricos. Numa altura em que o custo de uma vida sobe porque a procura é tão grande quanto a especulação imobiliária, ninguém entende que com a prognosticada falta de trabalhadores, os que trabalham não reivindiquem melhores salários.
O luso olhou para a greve da Lusa como uma espécie de meninos e meninas mal amansadas na desejada desinformação onde convém imperar a voz do dono. Creio que as vozes de burro vão ter lugar no céu, basta olhar para a dobradinha à moda do Amaro que por ser Leitão não se quer sentar à mesma mesa.
Deus criou o homem sem manual de instruções e foi-se embora convencido que a mulher com as suas ilusões o sabia moldar à sua imagem e semelhança. Não sei se à custa disso, o Aguiar passou um cheque em Branco à transparência e tentou enganar o pândego com aquela de que aos políticos até se lhe pede para dizer a cor das cuecas que despem, quando até sabia que pelas directivas da União Europeia ninguém escapa ao escrutínio declaratório, nem os seus 31 cargos ocultos. Não Chega dizer: vamos acabar com a corrupção e ao mesmo tempo deixar os corruptos em paz. Estes descontados do regime esticam-se na reprimenda entre pares e arrotam à mesma mesa.
Um multimilionário com a quarta classe mal feita, assim se confirma em Colo do Pito aldeia onde as madrugas se passam em Monteiras, e a quinta emenda americana por decifrar, trambolho especializado especialmente em alienados convictos por desemaranhar, uma mente incontinente a decifrar o pentágono em quadrilátero, a querer papar o Papa por lorpa em visceral custódia, mas o Leão não é gatinho não. Um paquete é um vaso de guerra turístico ou um absorto jovem dos recados virais. Em resumo, o sábio não sabia de nada e não foi capaz de aprender com quem sabe.
Numa união de Estados do velho continente alinhados na subserviência, num ámen ao pontificado da ameaça, nenhum estupor é capaz de o isentar de culpa no cartório da desgraça. Nenhum açambarcamento de capital se recusa a encher-se com a guerra porque quem a paga e nada ganha é aquele inocente que saído da entranha ainda não percebeu que a paz só é movediça para os insubmissos da razão. Por isso, morrer não é nenhuma virtude, mas há quem o mereça.
A ideia que passa é que estaremos todos disponíveis para assistir à trágica comédia e se pestanejamos é só para aguentar o cisco fora da órbita. Devemos reconhecer que entediados por tácteis ecrãs e palpáveis insuficiências nos plasmam em delírio cerebral. Uma no cravo, outra na ditadura tornou-se o cardápio do bicho, a febre da peste e o ódio do incompreendido desdenhoso quando nos impõe o crédito e nos aplica a taxa discricionária.
Aqui ao lado na Península mora o desassossego do bípede animal que nenhuma Europa quer enfrentar, prefere negociar a hipocrisia e aguardar uma qualquer decisão letal, devastadora, que nos faça o funeral no inferno com a promessa de subir aos céus em forma de cogumelo. A memória de Hiroxima e Nagasáqui começa a encurtar distâncias, sobrarão pedras e pó e talvez uns ratos a rir do laboratório.
Júlio Verme