Voz da Póvoa
 
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Viagem em Balão à Afamada Fuga da Informação

Viagem em Balão à Afamada Fuga da Informação

Opinião | 1950 | 15 Abril 2020

E a informação em fuga deu umas calcinhas ao juiz e uma rosa vermelha ao Sócrates. Quem me vende um segredo não vai ao preço certo, mas um “Portas Leaks” podia muito bem desvendar a percentagem dos submarinos ou aqueles milhões de euros que voaram da PT Bava para o BES Salgado e desapareceram num piscar de olho Cavaco, que confirmou uma Banca de loiça limpa e de cozinhados rançosos. Não sei se está na moda mas se o Leaks pega vira poda e o Rui estátua de herói.

Imaginem “Portugal Leaks”, um lavar de roupa suja no Tejo, no Douro e outros rios menos famosos, mas nem por isso com menos lavadouros. Agora que a Isabel virou “Luanda Leaks” ninguém algum dia lhe beijou a mão e muito menos o chulé do tacão. A filha do Eduardo escondeu-se na cor mais escrava dos séculos para justificar inocentes palmanços e vai vendendo as acções das empresas aos amigos, antes do sol se pôr na noite e o governo do Centeno se revelar incapaz de evitar o golpe. Como se não fosse possível impedir por decreto ou legislar sobre o assunto.

Os desmazelados do BES quiseram rechear a carteira ao apostarem o carcanhol em juros, que só a especulação pagava, mas agora dizem-se lesados e querem que os alisados do bolso, em nome do Banco de Portugal, paguem.

Os partidos que se dizem nossos representantes, tanto estão repartidos na opinião, como estilhaçados, mas nenhum consegue dizer a estes patenteados jogadores que quem vai ao Casino aposta na sorte, mas a maioria traz de lá o azar. É uma atitude viral, como se regista agora na linguagem moderna.

A comissão de ética diz que a estética não é fado nem a Maria Histérica usa as vogais ao contrário. Entre a espada e a parede escolheu a espada para limpar a sua honra e as unhas à ameaça. É como meter o dedo na ferida e sair de lá curado. Agora veio o Corona infestar o tribunal da relação. Aos crentes do Apocalipse diria que a profissão de Deus era juiz, antes de se deixar corromper pelo homem.

Afinal em que ecoponto ficamos? Esta gente vai mesmo ver o sol aos quadradinhos ou vestir uma camisa-de-forças no sanatório das cruzes? Começa a ser cada vez mais fácil investigar corruptos, é só ir atrás dos medalhados do 10 de junho.

Temos que ser justos, mas o povo nunca acreditou na justiça dos homens e quanto mais desacreditar dela, mais se agarra à justiça divina. Dizem-nos que foi Deus que criou o homem, esse ser intranquilo e capaz de abastardar a alma ao Diabo.

Os injustiçados dizem que a justiça funciona ao contrário. Quem tem que provar o milagre da multiplicação das contas bancárias do dia para a noite, é o seu titular e não o Mistério Público, que à custa disso vai deixando abrir a malha à rede e o peixe graúdo escapar. Depois acusam o juiz de perder o juízo por uns vouchers.

Creio que o país arde sem fumo e queima sem fogo. Tanto desespero por não termos um infectado para noticiar ao mundo, que agora chegado, passamos horas a contar, primeiro coronavírus e depois Covid-19. Se olhássemos para esta praga de gente a querer contaminar-nos com desinformação, da mesma forma que olhamos para o dinheiro que nos passa pelas mãos vindo das mãos de toda a gente, com beijos ou sem beijos, percebíamos que é perigos viver, que a vida mata e ninguém quer desnascer.

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