Voz da Póvoa
 
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Turistanto Lendas e Lugares - Saúde!

Turistanto Lendas e Lugares - Saúde!

Opinião | 1948 | 18 Março 2020

Quando eu era guria, sonhava com uma Revolução!

Vestia me de Anita Garibaldi e empunhava uma bandeira Maragata sobre o exército Chimango em busca de liberdade.

Quando eu era guria eu sonhava com o cárcere que permitisse rebelar-me, pois nasci livre e por assim ter sido não conseguia perceber o valor desse bem, tampouco o preço que meus ancestrais pagaram por ele. Tinha-me o valor que tem tudo aquilo que temos por garantido: só nos faz falta quando falta…

Quando eu era guria eu sonhava com uma Revolução….

Devíamos ter mais cuidado com aquilo que sonhamos!

Hoje eu não sou mais guria mas poderei dizer, se a velha chegar, que já mulher feita enfrentei uma Revolução, tão longe do pago natal mas na terra que fiz pátria e querência.

E o inimigo que ajudei a combater não trazia lenço branco ou colorado, era invisível aos olhos e inatingível às armas. Vagava por entre as gentes e levava consigo as almas que escolhia silenciosamente.

Descobriu-se então que contra ele nada melhor que o isolamento, ora como se poderia prever que tal monstro fosse tão sensível à solidão?

Já mulher feita lutei contra um inimigo sem do aconchego do meu rancho sair, mas ainda assim, protegida, tive medo.

Medo que ele me adentrasse a porta, a janela, o corpo, espírito...

E pela coragem daqueles que juraram defender a Vida Humana, a quem o direito de ficar no resguardo do lar foi suplantado pelo dever agarrar esse touro invisível pelos cornos, o meu mais profundo respeito e agradecimento.

Honremos esses viventes que, tal como os Farroupilhas, aceitaram essa peleja desarmados, desprotegidos mas nunca despreparados!

Pessoas que “deram de mão” nos seus medos para enfrentar, sem máscaras, esse exército tão Omnipresente quanto deus.

Esses homens e mulheres formados na arte da cura, sejam eles médicos, enfermeiros, auxiliares, que têm os filhos longe de casa enquanto salvam desconhecidos.

Façamos valer o sacrifício desses soldados que atravessam turnos de horas infindáveis em condições precárias, mas que ainda assim não entregam se ao medo. Louvemos aqueles que levam sobre os ombros o peso dos nossos destinos.

Sejamos seus instrumentos ao fazer nos ausência nas ruas e presença em nossos lares usando a liberdade que temos para optar sermos cativos até que moléstia não tenha mais portas à bater.

Pela primeira vez na história nos é pedido para lutar uma guerra sem lutar, é nos dada a oportunidade de revolucionar nossas relações, estreitar os laços de família, atender às necessidades de carinho e atenção de pais e filhos.

Façamos pelos nossos e pelos guerreiros que lutam nesse momento para salvar vidas que não conhecemos mas que fazem parte da nossa enquanto povo!

Ficai em casa, Portugal!

 

Maria Beck Pombo

 

 

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