Voz da Póvoa
 
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Turistando Lendas e Lugares – Trabalho em equipa

Turistando Lendas e Lugares – Trabalho em equipa

Opinião | 5 Agosto 2021

Quando nascera, numa manhã primaveril da saudosa década de oitenta, trouxe ao mundo diversas mulheres.

Uma guerreira celta, que prefere a morte ao cativeiro.

Uma aristocrata pré-cristã regida pelos princípios de Aristóteles onde o melhor é aquele que mais sabe, não aquele que mais tem.

Uma bruxa medieval dedicada à cura e condenada pelos curados.

Uma cortesã renascentista, com seus espartilhos e longas saias, a estreitar a cintura e ocultar as pernas, mas jamais a vontade!

Carregara consigo uma china farroupilha do século XIX a reclamar independência, uma poetiza do século XX a navegar entre as páginas escritas por Pessoa, uma cronista do século XXI a semear mensagens para a posteridade, uma filha, uma mãe, uma irmã, uma amiga, uma amante, uma pessoa…

Nascera uma porta-estandarte, a envergar a bandeira da Liberdade.

Da liberdade de sonhar, de amar, de escolher, de ser…

E como todo aquele que não conhece amarras, experimentou da vida o doce e o amargo, o excesso e a míngua, a ribalta e o porão.

Oscilou entre a luz e a escuridão e encontrou o equilíbrio entre ambos, trabalhando a lealdade que deve apenas a si mesma e a todas as partes das quais se faz acompanhar.

Fora farol a iluminar o caminho de uns e tormenta sobre o de outros, anestesia para alguns pesares e navalha em tanta carne que até abdicara de contar.

Carregou consigo um sem fim de remorsos e os afogou antes que eles a levassem, pela mão, para os braços de Iara.

            Obrigou então, a todas as mulheres que trouxera consigo, a encarar o espelho, elencar seus defeitos e trabalhar para os transformar em qualidades de modo a garantir boa colheita.

Não importa quantos trazemos connosco, desde que evoluir seja a meta.

 

Maria Beck Pombo

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