Voz da Póvoa
 
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Turistando Lendas e Lugares – Esse Caminho é nosso!

Turistando Lendas e Lugares – Esse Caminho é nosso!

Opinião | 1954 | 10 Junho 2020

No dia 1 de junho de 2014 ela, que sempre amara demais, fechou seus livros de contos e pôs o pé na estrada numa jornada em busca do autoconhecimento, de aprender a viver só consigo própria.

Mais ou menos no mesmo dia ele, que sempre ocupara-se de coisas mais importantes que amar, decidiu fazer o mesmo, por suas próprias razões…

Ela decidiu percorrer o Caminho Central Português, o mais antigo por essas bandas.

Ele decidiu percorrer o mesmo Caminho, pois não tinha tempo para fazer o Francês, a sua primeira opção.

E assim partiram, ela do Porto, ele de Póvoa de Varzim, sem nunca imaginarem que, no momento que escolheram esse específico trajecto, totalmente alheios aos planos dos deuses, tinham traçado também o destino que os uniria onde cada pedra no caminho encurtava dia-a-dia a distância que os separava.

Foi em Mós, já na Espanha que os dois encontraram-se, num dos albergues oficiais para peregrinos, mais ou menos 140 km após o início de sua jornada. Um encontro digno dos romances de Paulo Coelho que ela devorava antes do amor perder-lhe a cor e o sabor.

A chuva e os pés feridos os impediram de ir adiante naquele dia, e assim deu-se início a uma verdadeira história de amor, com pessoas reais e totalmente imperfeitas mas melhor: capazes de miscigenar duas culturas totalmente distintas e fazer resultar.

Muitos foram os quilômetros percorridos juntos até hoje, seis anos depois.
Amaram-se, odiaram-se, brigaram, pacificaram milhões e milhões de vezes.

Pois é assim que se faz quando se ama e sabe-se que o outro vale a pena.

Ela aprendeu a gostar de bacalhau e a amar ainda mais esse torrão lusitano que trouxe-lhe, não um príncipe encantado, mas um homem de carne, osso e cheio de encantos.

Ele aprendeu a gostar de usar bombachas e alpargatas, e a agradecer a prenda gaúcha que enviou-lhe a pátria irmã.

E assim continuam a partilhar o chimarrão, o pão nosso e as esperanças, sempre a agradecer o ditado que diz “Deus escreve certo por linhas tortas”.

E elas o foram: tortas, duras e acidentadas mas sem dúvida nenhuma valeram cada bolha ou trambolhão!

Às vezes, para achar o rumo, basta começar a andar.

 

Maria Beck Pombo

 

 

 

 

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