Voz da Póvoa
 
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Turistando Lendas e Lugares – Espelho sem aço

Turistando Lendas e Lugares – Espelho sem aço

Opinião | 18 Junho 2021

Ah, quem não concorda que uma visita ao cabeleireiro vale mais que dez consultas com um psicólogo?

Futilidades à parte, é no Salão de Beleza que a maioria das mulheres cura as dores da alma e do coração, ao fazer as pazes com a sua imagem no espelho.

E o mais curioso é que, quando adentramos um espaço em que sentimos a nossa vibração, já sintonizamos a frequência com quem nos trata e os laços cliente/profissional estreitam-se de tal modo que a amizade ganha asas.

É a nossa cabeleireira que acompanha a nossa saga diária de problemas por resolver, as discussões com o marido, nossos enleios de família, nossas frustrações e receios. E também é quem fica a saber, logo em primeira mão, dos nossos novos projetos, daquela conquista há tanto esperada, das nossas esperanças e sonhos…

Entre risos ou lágrimas, tesouras, navalhas e colorações, vão adentrando a nossa vida, lapidando o nosso exterior de modo a ajudar o interior a encontrar paz de espírito.

Aos poucos viram expectadoras da nossa história e sabem sempre o que fazer para nos deixar melhor:
 
“Hum, uma unha bonita para agradar o amor, sim senhora! Hoje fazem anos de casados, não?”
“Não chores o amor perdido, miúda, ele não te merece! Anda lá, vamos cortar esse cabelo e deixar-te nova em folha! Quem sabe umas madeixas?”

Elas estão sempre certas e se tem algo que não se pode mesmo questionar é que saímos dos seus castelos com os cabelos e a alma lavadas.

E sabem porquê? Porque elas escutam!

Entre todo o barulho das máquinas, entre toda a confusão matemática das químicas, elas estão de ouvido atento e de coração aberto. E, de certeza mais que absoluta, lá no seu íntimo, elas esperam que façamos o mesmo.

Porque elas também nos contam… 

Contam como foi duro batalhar para se firmar naquela profissão, contam os dramas de família, contam que têm a saúde debilitada e que é sorte estarem vivas até então, contam sonhos, arrependimentos e aspirações, para além de algumas piadas.

Elas confiam em nós, confiam que estão seguras ao nosso lado, confiam que não entraríamos pelo castelo delas adentro, colocando a nossa vaidade acima da sua saúde, que não arriscaríamos a sua vida em troca do “louro platinado” perfeito!

Elas confiam que teremos o bom senso e a dignidade de agir para com elas, da mesma forma que confiamos que elas agem connosco: com respeito, responsabilidade e empatia.

Mas, bem sabemos que nem todas as pessoas são de confiança e que espelho nenhum reflete aquilo que se quer oculto.

Então, para que menos profissionais de estética tenham as suas raízes ceifadas por confiar no bom senso de quem os procura, fica aqui o meu apelo:

A enfermidade passa, mas a morte não. Causar a morte de alguém por pura empáfia, por não poder aceitar-se como é, pelo período adequado ao tratamento da doença, não demonstra apenas irresponsabilidade, é uma atitude criminosa.

O mundo preocupou-se tanto com a sua imagem que se tornou cego!


Maria Beck Pombo

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