Voz da Póvoa
 
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Turistando Lendas e Lugares – Ao infinito, e mais além!

Turistando Lendas e Lugares – Ao infinito, e mais além!

Opinião | 22 Dezembro 2021

Sentada no velho banco do quintal, sob a esparsa ramada de maracujá, ela contemplava a filha a jogar à bola.

Tem piada a mudança de aspirações entre as gerações.

Enquanto ela e tantas outras gurias queriam ser bailarinas, hoje a filha, assim como os filhos de tantos outros, desejam ser “Cristianos Ronaldos”.

Bons tempos esses em que o ser humano está cada vez mais próximo de conquistar o direito de ser quem é, e não estar sujeito ao que os outros esperam que seja.

Riu-se e se deparou a observar a laranjeira que lhe furtava, inconvenientemente, o sol à janela, mas entregava, como recompensa, dezenas de laranjas maduras e sumarentas.

O vento morno lhe beijava o rosto e as nuvens, lá adiante, anunciavam que, logo logo, a chuva apagaria a luz do dia.

Com a graça de todos os deuses, nem só a pandemia se alastra pelos continentes.

O Espírito Natalino também contagia a humanidade, lembrando a todos que a união faz a força.
Gentes de todos os credos se preparam para o nascer de um novo ano, resgatam suas raízes e crenças, reforçam os laços de família e estendem seus anseios à janela.

Pedem, mas também doam!
Lembrou-se de uma ama que cuidou do seu pai há muitas décadas atrás…

Dona Landi, assim se chamava a mulher alta e corpulenta, descendente de alemães, dona de um espírito cristalino e de um coração capaz de acolher todo o universo.

Tinha uma gargalhada poderosa capaz de preencher todo o espaço onde se encontrava, tão poderosa quanto a bondade que entregava a conhecidos e estranhos, inspirando-os a seres melhores pessoas.

Vestia-se de Papai Noel para alegrar nosso Natal.

Chegava, de saco e tudo, a arranhar um “ho ho ho” com aquele sotaque germânico inconfundível, e uma máscara verdadeiramente horripilante que, de certeza mais que absoluta, deve ter traumatizado muita cria naquela época.

Mas, bem, era a Dona Landi, e a Dona Landi era a personificação genuína da Mãe Natal, se o bom velhinho tivesse esposa.

Pouco a pouco o criaredo começava a ver através da máscara, pois as crianças, sabemos, têm esse dom de enxergar a verdadeira essência das coisas, e a alegria se instalava!
Demorou-se um tempo a imaginar em que pagos estaria a velha e bonachona Dona Landi.

Por dentro uma triste certeza ferroou seu coração, mas aquele sentimento de gratidão e respeito aos ciclos da vida fez com que ela afirmasse a si mesma com convicção:

Para pessoas como a Dona Landi, o céu é apenas o começo!

Maria Beck Pombo

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