Voz da Póvoa
 
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Turistando Lendas e Lugares - Rememorar

Turistando Lendas e Lugares - Rememorar

Opinião | 1950 | 15 Abril 2020

Tempos difíceis como os que vivemos fazem-nos ter tempo a mais para recordar os bons momentos que vivemos entre aqueles a quem mais amamos.

Ao revisitar as fotografias registadas na minha infância encontrei um par delas que emocionaram-me barbaridade e, curiosamente, todas elas guardaram momentos divididos com as minhas três irmãs mais novas.

Tantas coisas se passaram nesses últimos doze anos: formaturas, casamentos, filhos... tantos momentos “perdidos” ou acompanhados apenas através de um ecrã (e bendito seja ele, diga-se de passagem!).

Mas apesar da vida ter-nos levado por caminhos diferentes, onde o purê de batatas ou o macarrão com carne depois de uma noite de festa já não são possíveis de se compartilhar, onde todos os gritos furiosos e ridículos de "NÃO SOU MAIS TUA IRMÃ!" perderam-se num passado tão distante quanto as milhas que nos separam, os laços que nos unem são mais fortes que qualquer correnteza!

As lembranças da vendinha do “Seu Luderitz” onde comprávamos às dezenas de chicletes Ploc Monsters só pelo gozo de “bater figurinhas”, as tardes em frente à casa da vó Tetê a pular Pogobol e “se esborrachar no chão” nas quedas com patins, os dias de verão que nos permitiam passar o tempo que nos apetecesse na pracinha a fazer amigos novos que nunca mais veríamos mas ficariam impressos na nossa memória pela eternidade, dividem hoje espaço com novas aventuras, novos desenganos, novas vivências...

Mas o amor, esse é imutável. Independentemente do tempo, das novidades, das despedidas...

Perdura, conforta e aquece como a brasa do angico numa fogueira vespertina nos rincões do pensamento.

 

Maria Beck Pombo

 

 

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