Voz da Póvoa
 
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Senhores deste Irão venerar o outro

Senhores deste Irão venerar o outro

Opinião | 21 Março 2026

 

Paulo Rangel pode até ranger os dentes, mas o acordo da Base das Lages com os Estados Unidos está em desacordo com o que diz e afirma. Ele até pode conhecer outras violações, mas ao nível do Direito Internacional desconhece ou por vassalagem convém estar mais próximo de quem ali pousa e levanta aviões de guerra. Consta que o tratado é muito mais do que a despachada sombra do ministro dos negócios estrangeiros. Ou seja, fora das operações NATO ou de outras organizações internacionais das quais Portugal faça parte, qualquer utilização da base aérea tem que ser previamente autorizada pelo Governo da República. Consta que, no acordo assinado em 1995, as partes assumiram o compromisso de manter-se “Fiéis aos princípios e aos propósitos da Carta das Nações Unidas”. Não quero acreditar que o responsável pela pasta nunca tenha lido o Tratado ou o tenha interpretado consoante a direcção e a vontade do ocupante. Mas, se a dúvida persiste, não há nada melhor que perguntar a Durão Barroso que foi quem o assinou, ocupava na altura a pasta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a outra assinatura é do secretário de Estado norte-americano, Warren Christopher.

À defesa, não vá sair asneira outra vez, Nuno Melo limitou-se a responder que o assunto não é da sua tutela, e como ministro calou-se, não creio que para sempre, talvez depois da guerra ao Irão ou outra diga umas palavrinhas mesmo que insignificantes. 

Na geopolítica dos políticos o povo é colateralmente um número ímpar para que aos pares se multipliquem as incongruências de quem se acha intocável perante o rebanho de cordeiros, que para se manterem na corte mandam os seus obedientes pastar ou mais modernamente guerrear ou aguentar com as despesas.
 
Mas, ainda há quem contrarie a tendência dos fora-da-lei. “Não à violação do direito internacional. Não aceitar que o mundo só pode resolver os seus problemas através de conflitos e bombas. E, finalmente, não repetir os erros do passado. Em suma, a posição do Governo de Espanha resume-se em três palavras: Não à guerra”, afirmou o primeiro-ministro Espanhol, Pedro Sánchez. 

E acrescentou: “É ingénuo pensar que as democracias ou o respeito entre nações nascem das ruínas. Ou pensar que praticar um seguidismo cego e servil é uma forma de liderar o outro”.

Por cá interessa-nos pouco a política nacional e muito pouco a política internacional, embora esta última é quem nos come verdadeiramente os olhos da cara. E como o pior dos cegos é o que não quer ver, mesmo com os céus iluminados de afrontamentos à Paz, ficamos quase sempre às escuras, enquanto a E-Redes e outras energias a Gás ou a Petróleo nos cobram as invasões de territórios soberanos. 

Pablo Rios Antão

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