Voz da Póvoa
 
...

Ormuz dos portugueses

Ormuz dos portugueses

Opinião | 20 Julho 2026

 

Ormuz situa-se à entrada do Golfo Pérsico. É terra inóspita rodeada de deserto e sem água potável. O seu valor é grande do ponto de vista comercial e estratégico – “além de ser rica e nobre é a chave dos persas” escreveu Tomé Pires na sua Suma Oriental. Do Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, direcção de Luís de Albuquerque.

Agora que o estreito está nos noticiários de todos os canais informativos do mundo é bom ir à História deste pequeno país, que já foi grande, grande de homens, é bom dizê-lo, a começar pelo Príncipe Perfeito, no começo de quase tudo, e continuado pelo Venturoso.

O primeiro português a visitar Ormuz foi Pêro da Covilhã, O Espião de D. João II, título do livro de Deana Barroqueiro – “para completar a sua visão sobre a vida económica do Índico, faltava a Pêro da Covilhã conhecer o movimento do porto de Ormuz. O escudeiro do rei D. João II não hesitou em alongar a sua viagem até àquele importante porto insular” – Luís de Albuquerque, Navegadores, viajantes e aventureiros portugueses do séc.XVI

“O escudeiro tem à sua frente a folha de papel desdobrada, coberta pela letra fina e aprimorada do seu soberano, com aquele passo duvidoso que parece encerrar uma ordem … e quem ousaria negar fosse o que fosse a el-rei D. João II? As letras bailam-lhe diante dos olhos, quando relê o texto: é também de minha vontade que mostreis a cidade de Ormuz ao rabi Abraham.

Anseia ver de novo Ormuz, a Pedra do Anel, também denominada Dâramalan ou Vivenda da Segurança, por nenhuma injustiça ser ali permitida contra quem quer que seja, de qualquer raça, nação ou religião, como uma espécie de feira mundial para os tratos dos mercadores dos sete climas, onde el-rei de Portugal almejava estabelecer feitoria. - O Espião de D. João II.

Mas foi Afonso de Albuquerque, O Terribil, o governador que dominou o Índico; na biografia do vice-rei, da autoria de José Manuel Garcia, sobre a expedição a Ormuz: “permitiu que os portugueses tivessem sido o primeiro povo europeu a estabelecer contactos regulares com várias áreas do golfo pérsico e em especial com aquela cidade situada a uns 6200 Kms de Portugal onde a partir de 1507 ela passou a constituir uma referência constante durante o resto do séc. XVI e parte do XVII, sobretudo até à sua perda em 1622”, já Portugal estava sob domínio filipino. “Os Portugueses não visavam um domínio territorial da Pérsia – forma pela qual o Irão era designado nas fontes portuguesas – mas sim o de alcançar uma hegemonia sobre a navegação e comércio no Índico”.

 

Abílio Travessas

partilhar Facebook
Banner Publicitário