Voz da Póvoa
 
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O impacto da pandemia de coronavírus nas Comunidades Portuguesas

O impacto da pandemia de coronavírus nas Comunidades Portuguesas

Opinião | 1950 | 15 Abril 2020

Surgida há cerca de cinco meses na China, a pandemia de coronavírus disseminou-se a um ritmo vertiginoso à escala global, provocando nas sociedades efeitos devastadores no campo socioeconómico, espelhados em milhares de vítimas e de casos de infeção no mundo, assim como generalizadas medidas de confinamento que paralisam a economia e colocam os países às portas de uma recessão sem precedentes.
 
Espalhadas pelos quatro cantos do mundo, as Comunidades Portuguesas, centelhas incessantes de amor pátrio, não estão imunes a estes efeitos que têm alterado radicalmente o nosso quotidiano. Para além da perda de rendimentos inevitáveis e ameaça de insegurança económica, são já conhecidos infelizmente casos de infeção e de mortes entre emigrantes lusos, como o que prematuramente ceifou a vida de João Loureiro, proprietário de um dos mais conhecidos restaurantes portugueses de Newark, cidade onde se encontra uma das maiores comunidades portuguesas nos Estados Unidos da América.
 
No seio das Comunidades Portuguesas, é também já notório o cancelamento ou adiamento de eventos e iniciativas que integram os planos anuais de muitas associações. No início deste mês, por exemplo, a Aliança de Clubes e Associações Portuguesa do Ontário (ACAPO), responsável pela organização das comemorações do Dia de Portugal, em Toronto, no Canadá, território onde vive e trabalha uma das mais dinâmicas comunidades lusas, divulgou o adiamento da “Semana de Portugal 2020” que tinha eventos planeados entre 2 de maio e 28 de junho.

Como na pátria de origem, onde os jornais nacionais perdem inúmeros leitores por dia nas edições em papel e assistem à queda acentuada do investimento publicitário, a imprensa de língua portuguesa no mundo enfrenta com espírito de resiliência e solidariedade dos seus diretores, colaboradores, leitores e empresários mecenas, as enormes dificuldades expostas pela crise socioeconómica. Conseguindo manter o formato original ou reduzindo o seu tamanho, e noutros casos casos suspendendo momentaneamente a edição e subsistindo no mundo digital, os órgãos de comunicação social da diáspora perseveram na missão singular de promover a língua, a cultura e a economia nacional no estrangeiro, assim como do pulsar da vida das sociedades em que estão inseridos.

Nestes dias de isolamento social e abrandamento económico, um dos casos mais notáveis ao nível da dinâmica e perseverança dos meios de comunicação social das comunidades portuguesas, encontra-se no exemplo inspirador e resiliente do MDC Media Group presidido pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto. Esta relevante empresa de comunicação social portuguesa no Canadá, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, e a Camões Rádio e TV, persiste de modo inovador e solidário na criação de informação de qualidade, de forma ética e independente, promovendo a cidadania e o desenvolvimento económico, cultural e social da comunidade luso-canadiana, não descurando a segurança dos seus profissionais.
 
Inclusive, neste período em que se passa mais tempo em casa e em que as famílias estão com quebras de rendimentos, é possível ligar gratuitamente a Camões TV, o que não pode deixar de ser considerado como um importante e solidário contributo do MDC Media Group em prol da numerosa comunidade luso-canadiana.

É através destes exemplos inspiradores de solidariedade, e de muitos outros que se vão operando no seio das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo, como o da comunidade lusa em Macau que durante este mês arrecadou milhares de euros, para comprar material médico para ajudar Portugal no combate à pandemia, ou de associações de emigrantes no Luxemburgo que lançaram uma campanha de angariação de fundos destinados a comprar material e equipamentos para hospitais nacionais, que iremos seguramente ultrapassar esta grave crise, mantendo a essência dos valores da dignidade humana e a esperança na construção de um futuro melhor.

Daniel Bastos

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