
Disse com determinação no Encontro Nacional em Pombal em novembro passado, que estava muito animado com a tarde aí que os decisores políticos estavam a dar às nossas propostas. Finalmente!
Essa atenção não acontece por acaso. É fruto de muita persistência, propostas realistas e de quem conhece bem a realidade da nossa imprensa concelhia e supraconcelhia.
A título de exemplo, os primeiro e segundo governos de António Costa agradeceram à ANIR e nomearam assessores para trabalhar com a nossa associação a solução da publicitação das deliberações autárquicas. O governo de Luis Montenegro prosseguiu essa nossa proposta. Os esforços foram adiados pela queda sucessiva dos últimos três governos.
Chegados aqui, este governo aprovou a alteração à Lei, nos termos que havíamos proposto.
O que tem estado na base dos nossos argumentos, essencialmente o ‘deserto de notícias’ que prejudica mais de metade dos concelhos, que não têm acesso à informação credível. A desinformação instala-se e com ela as fake news ou as publicações em alguns municípios que são ‘a voz do dono’. Também a abstenção cresce nestes concelhos.
A duplicação do Porte Pago foi uma aposta que deu vida a muitos jornais impressos que estavam próximos de suspender. Os incentivos para o digital, de valor nunca limitado, e o apoio às assinaturas digitais são outros exemplos que nos animam.
A aposta na nossa imprensa de proximidade é finalmente reconhecida como indispensável ao Portugal democrático, ao fortalecimento da participação dos cidadãos na sua comunidade. A coesão territorial é também uma base que justifica o investimento público na nossa imprensa concelhia e supraconcelhia.
É, assim, reconfortante perceber que o esforço de tantos anos está a dar bons frutos. Confirmados no reconhecimento generalizado da importância que justificadamente temos, com atos concretos por parte de quem tem nas mãos a possibilidade de influenciar o nosso presente e tornar robusto o nosso futuro.
Eduardo Costa, presidente da direção da ANIR-Associação Nacional de Imprensa Regional