Voz da Póvoa
 
...

No Combate aos Dias da Incerteza

No Combate aos Dias da Incerteza

Opinião | 1951 | 28 Abril 2020

À boleia de um caracol. A imprensa regional é aquela que está mais próxima das pessoas, aquilo a que se chama jornalismo de proximidade, que fala ao ouvido, que conta uma iniciativa vizinha, desta e daquela associação, cultural, desportiva, recreativa. Não me venham com as janelas pouco ou nada discretas das redes sociais, coisas demasiado efémeras para serem guardadas.
O seu Jornal é um livro de história, um guardador de memórias. Fomos tantas vezes o primeiro despertar de uma loja, que nos procurou para se dar a conhecer. Fomos outras tantas a sua Voz. Somos em todas as direcções a cartografia da memória das gentes. Um serviço público praticado que nunca foi financiado ou verdadeiramente apoiado por quem de direito. Somos no futuro o documento passado mais próximo da verdade histórica de cada coisa com nome.
Não se muda por decreto. É preciso continuar a escrever todos os olhares, felicidades, tristezas, motivações, razões, verdades, informações. É preciso encontrar respostas, repetir perguntas, nenhuma fadiga na postura.
O jornalismo não pode ser sinónimo de sujeição ou humilhação. É uma questão de dignidade, de respeito pelo leitor, pelo assinante, por quem ainda acredita que fazemos falta, que ainda somos capazes de algo que valha a pena, porque não dizemos o que não pensamos e ainda somos donos da nossa Voz.
Também temos um tempo não vivido nestes incertos 82 anos, mas ressuscitados não paramos mais de acreditar. E para que se envaideça, você é A Voz da Póvoa, nós o sonho feito de palavras, uma das obrigações do ofício, a outra, saber colhê-las.

José Peixoto 


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

partilhar Facebook
Banner Publicitário