Voz da Póvoa
 
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Marega ou Um Poço de Carácter

Marega ou Um Poço de Carácter

Opinião | 1946 | 4 Março 2020

Pois!...O Marega é um poço de força, um diamante ainda a ser polido, dizeres eufemísticos estes que escondem um racismo brando. Assim, sub-repticiamente, vão-se inculcando no bom do portuga gérmenes disso mesmo: racismo.

Ocorre-me um exemplo pessoal relatado neste Jornal há uns anos (Terêncio, dramaturgo, jogador da bola?!) também ele, negro, vilipendiado labregamente mas tudo sem consequência alguma. Lembro-me só para reiterar que esta nova história, por mais capítulos que venha a ter, jamais terá um final feliz. A ver vamos.

Se associarmos a mais este vergonhoso caso outros se não iguais no mínimo de igual índole no que à cidadania diz respeito, lá se vão as piedosas intenções de mudança. Três exemplos: “Aqui quem não ganha não faz cá coisa nenhuma”.… vai daí, porrada neles, “Alcochete sempre”; ou as pressões “execráveis” (cito) a que jogadores do Famalicão se viram já sujeitos; “Essa preta que vá para a terra dela, Chega”. Pois!...
O Marega não é, a meu ver, jogador de excepção, mas constitui já um ícone vivo na minha galeria de Resistentes: contra todo o tipo de anormais que perduram em ir aos estádios sem que as autoridades (uma chusma delas) os impeçam; contra os octaviozinhos (ia dizer otários) que se esmeram até aos limites para demoverem o Marega e ficarem todos bem na fotografia, em aparente harmonia (na senda dos nossos eternos brandos costumes ou, se preferir, como se um anão mental jamais pudesse abalar um gigante de convicções).

Sabes, Marega: nós portugueses fomos dos primeiros europeus a abolir a escravatura, mas dos últimos a deixar de a praticar!... Ou por outra: campeões da hipocrisia.

Alcino Santos


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

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