Voz da Póvoa
 
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Isolamento Social e Saúde Mental

Isolamento Social e Saúde Mental

Opinião | 1949 | 25 Março 2020

Todas e todos nós sentimos o stress e o medo do que estamos - e ainda iremos - vivenciar na sequência da pandemia de COVID-19. O isolamento social, imperativo no combate a essa calamidade, tende a apresentar um impacto negativo na nossa saúde mental. Durante esse período, é normativo que cada um de nós experiencie emoções e sentimentos menos positivos, como tristeza, irritação ou aumento da irritabilidade. A aceitação dessa sintomatologia é o caminho a ser feito com o intuito de conseguirmos chegar à meta de forma menos dolorosa. É essencial estarmos conscientes de que com o passar do tempo esses sentimentos inclinam-se a ficar mais intensos e mais dolorosos. Regra geral, não gostamos de demostrar, tampouco exteriorizar, os sentimentos negativos, até porque fomos educados a assim não fazer. Na maioria das vezes, a resposta mais comum tende a ser a criação de uma armadura de naturalidade. Contudo, é em momentos de crise, como o que estamos a viver, que processar as emoções se torna imperativo e, nesse sentido, a aceitação destes sentimentos ajudará a criar uma sensação de maior tranquilidade e, consequentemente, uma menor tensão cognitiva.
 
A manutenção das rotinas que normalmente realizávamos propende a tornar o processo mais tranquilo, uma vez que o ser humano necessita de rotinas para se estruturar. Dessa forma, é suposto adaptar as rotinas e não as eliminar. Se tem que trabalhar a partir de casa, tente manter o mesmo horário de trabalho, com as mesmas pausas, com as mesmas interrupções, tentando transpor um pouco de normalidade para a nova realidade. Somos igualmente seres sociais, por isso o contacto social é imperativo: ligue mais vezes às pessoas que são significativas para si, use as novas tecnologias ao seu favor, mantenha as vossas relações e os vossos momentos de descontração de formas diferentes. Esses dois aspetos podem ajudar-nos a passar por esse curso de uma forma menos severa e a aceitação que esse processo ainda está longe do seu término - e que o seu caminho pode ainda se tornar mais complexo - não pode nos amedrontar, nem nos fazer desistir. Todos/as nós, poveiros e poveiras, temos uma obrigação moral de respeitar as restrições existentes. Sabemos que não é um período fácil, mas também é necessário compreender que cada um/a de nós exerce um papel essencial no combate a esta pandemia e no restabelecimento da normalidade social.

Luis Lopes Pinheiro, Mestre
Psicólogo
Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde
Cédula OPP  nº 20535

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