Voz da Póvoa
 
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FIM DE SEMANA EM GRANDE

FIM DE SEMANA EM GRANDE

Opinião | 1961 | 9 Setembro 2020

Fim-de-semana em grande. Conversa com o Valter Hugo Mãe na Feira do Livro, na "Exclamação", graças ao Nuno Gomes. Falou-se de espiritualidade, de como eu escrevo ora movido por Deus, ora movido pelo demónio, do meu percurso poético, desde o prémio ao poema sobre a guerra aos 14 anos no Liceu Sá de Miranda em Braga, dos primeiros bons poemas aos 18 anos, do primeiro livro "Gritos. Murmúrios", do "Á Mesa do Homem Só", da boa crítica no Diário de Notícias, da "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", graças ao Valter, da revolução, das mulheres e dos cafés, da alucinação em Paredes de Coura, de Bukowski e Henry Miller, do Bloco de Esquerda, do regresso aos poemas satíricos em "Os Últimos Copos", das várias vertentes da minha escrita.

A apresentação do livro "Os Últimos Copos", graças à Amateur. Leitura dos poemas "Borracheira", "As Mamas da Fátima Lopes", "Jesus", "Para quê, então, Estar Aqui?" e "Versos". O título "Os Últimos Copos" não surge por acaso. Há dois anos estive doente e julguei que teria mesmo que deixar de beber álcool, que seriam mesmo os últimos copos. Daí a referência a poemas regados em álcool como "Bebida" ou "Borracheira". Verifica-se também um regresso notório aos poemas satíricos. Prossegue a revolta, a liberdade, o desejo e a proclamação da liberdade. E há poemas místicos/alucinados, que eu não sei de onde vêm. Além do tema da mulher.

A pandemia e as alterações climáticas são reacções da natureza à forma como esta é violentada por nós e sobretudo pelos poderes. O caos está instalado. A crise. As revoltas anti-fascistas, anti-racistas e agora novamente os coletes amarelos podem redundar na revolução. Por outro lado, apetece-me gozar com o império do dinheiro, da TV, das vedetas, com os senhores dos computadores, com os governantes, com os vendilhões. Gozo com os seus joguinhos de poder. No fundo, não passam de um bando de imbecis. É merda. Só merda.
A culpa também é dos pequenos, das pessoas que se deixam levar pela luta pela vida, pela intriga, pela inveja, que se deixam ir no rebanho.

António Pedro Ribeiro - Poeta, Sociólogo e mais ainda

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