Voz da Póvoa
 
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Ensino à distância: uma novidade ou a continuidade?

Ensino à distância: uma novidade ou a continuidade?

Opinião | 1955 | 24 Junho 2020

Não se tratasse de uma pandemia que forçou milhões de alunos, em todo o Mundo, a um “confinamento doméstico” o tema do “ensino à distância” (EAD) não estaria tanto em discussão e na ordem do dia. No entanto, o Sistema EAD já é, uma realidade mais ou menos implementada. Se circularmos nos meandros do Sistema Educativo, incluído o português, o anglicismo “e-learning” é um vocábulo familiar.

Reflito sobre esta estratégia educativa e recuo aos anos 40 em Portugal: os cursos eram feitos por correspondência, os cursos à distância emitidos pela rádio nos anos 30 e a famosa telescola, ainda hoje utilizada. No auge da democracia em Portugal, nos anos 70 e 80 surge a “Universidades Abertas”, cujo ensino é suportado por documentação em cassetes de vídeo nos anos 80 e 90.

Porém, a realidade mais próxima, do ponto de vista tecnológico, surge no final do século XX com o acesso mais generalizado a computadores pessoais, internet e acesso ao conceito do “e-learning”. Claro que o desenvolvimento da denominada “inteligência artificial”, da aprendizagem personalizada, nestas últimas décadas, colocou o “ensino à distância” no centro do debate, em todos os níveis do ensino.

Não obstante, o que foi sem dúvida, um caminho em progresso, muitas questões se colocam ainda. Sobretudo de quatro tipologias, a saber, as questões tecnológicas (será que todos os intervenientes possuem equipamentos tecnológicos que respondem convenientemente a este desafio?), as questões metodológicas (todos os intervenientes receberam a formação necessária para existir eficácia no processo de aprendizagem?); as questões sociais (todos os intervenientes têm assegurada a equidade social para responder aos desafios do “ensino à distância”?); e, por fim, mas não com menos importância, as questões emocionais (todos os agentes estão dispostos a promover a autoajuda ou preferem a auto aprendizagem?).

Há, então, a necessidade de passar para um nível seguinte, o da necessidade de constituir equipas eficientes e especializadas no apoio técnico-pedagógico. Não basta que as equipas integrem elementos com “um certo jeito para as tecnologias”. Existem variáveis diversas, por exemplo as que se relacionam com os aspetos de segurança cibernética.

Há, igualmente, a necessidade de uma mudança de paradigma de ensino. As plataformas digitais já existentes foram concebidas para apoiar as aulas presenciais e não para um sistema “misto” de aulas no estabelecimento de ensino, e “online”, como é o caso atual das Escolas Secundárias.

Finalmente, há a necessidade de definir, a médio e longo prazo, linhas estratégicas objetivas, de carácter pragmático, consensualmente aceites, para que o impacto fique verdadeiramente para a História da educação em Portugal. A verificação do verdadeiro impacto pode, e deve, ser realizada por uma equipa de monotorização com representantes dos intervenientes, se queremos um debate sério sobre o tema e não apenas solucionar a questão “como colocar os alunos perante os desafios do próximo ano letivo”. O cerne do debate deve ser como colocar os alunos perante os desafios do futuro, com ou sem “Ensino à distância”.

Afonso Soares da Costa Oliveira – Estudante

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