
A Operação Páscoa nas estradas portuguesas foi um desastre a precisar de explicações e conclusões mais a condizer com a realidade prática deste tipo de mobilidade. Entretanto, as seguradoras que não querem ter prejuízo nos lucros já preparam mais um queixume para impor novos aumentos àqueles que nunca tiveram ou participaram qualquer acidente, mas passam a vida a evitá-los.
As urgências dos hospitais não têm mãos a medir tamanhos aglomerados, ajustam-se os funcionários nos ganhos e nas despesas governativas. A culpa é dos condutores com álcool no sangue, e com o pé pesado no excesso de velocidade. São estas as estatísticas das autoridades que operam nas estradas. Mas, há ainda os condutores sem Carta de Condução a aumentar todos os dias, viaturas sem seguro algum e a apostar na sorte.
O Governo mais uma vez, e repetindo as baratas medidas dos anteriores executivos, pretende aumentar as coimas para persuadir os condutores a terem respeito pelo outro, acima de tudo pela sua própria vida.
Tudo o que foi dito me parece certo, como certa é a falta de manutenção nas estradas, regra geral por todo o país encontrará buracos que podem provocar danos nas viaturas e indesejáveis sinistros. Quanto à falta de sinalização adequada à via em questão é outra realidade, as marcações nas bermas e no meio das estradas, quer rurais, quer nacionais é uma miragem, estão apagadas ou nunca foram pintadas. Sabemos que depois de um remendado tapete de alcatrão, a tinta fica na loja ou no armazém a secar dentro da lata. E que falta fazem estas marcações quando cai o nevoeiro, coisa não rara nas estradas, nas aldeias onde a iluminação pública não existe ou sofreu um apagão irreparável, mas a culpa é do condutor que não adivinha o que não consegue ver.
Os automóveis são as máquinas que mais impostos pagam. No Orçamento de Estado para 2026, o Governo prevê arrecadar só na soma do Imposto Sobre Veículos (ISV) quando comprado novo ou importando, Imposto Único de Circulação (IUC), e Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP), mais de 5300 milhões de euros. Isto sem contar com os milhões em impostos arrecadados com os seguros automóveis, ou com a Inspecção Periódica Obrigatória de veículos.
Quanto aos encargos com as PPP rodoviárias deverá rondar os 950 milhões, enquanto a Infraestruturas de Portugal está autorizada pelo Orçamento de Estado a gastar 446,7 milhões de euros em estudos e na execução de oito projectos rodoviários.
Melhor dizendo, o Estado não gasta sequer um terço dos impostos arrecadados anualmente em novas vias ou manutenção das existentes. Ou seja, aquela máxima do utilizador pagador tão ao gosto de certos governantes, neste caso o utilizador tinha que receber o dinheiro das portagens ou ser reembolsado pela Via Verde.
Pablo Rios Antão