Voz da Póvoa
 
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Depressão: a doença silenciosa

Depressão: a doença silenciosa

Opinião | 1952 | 13 Maio 2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2015, 300 milhões de pessoas sofriam de depressão, tendo sido classificado, na altura, como o fator de maior relevância para a incapacidade da atividade produtiva. Em Portugal a realidade não é diferente do resto do mundo, onde cerca de um quinto da população sofre de uma perturbação psiquiátrica (22.9%), sendo o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa. Do universo geral das perturbações psiquiátricas em Portugal, as perturbações de humor apresentam-se em segundo lugar, logo após os distúrbios de ansiedade.
 
A depressão caracteriza-se por ser uma perturbação emocional, na qual as pessoas sentem sentimentos de angústia e tristeza profunda. É normal sentirmo-nos tristes com alguns acontecimentos da nossa vida, mas é suposto conseguirmos ventilar esses sentimentos através de comportamentos que os mitigam, entretanto, para as pessoas que sofrem de depressão, esses mecanismos não são possíveis. Em casos extremos, as pessoas com quadros depressivos severos desenvolvem pensamentos sobre a morte, podendo, até mesmo, desenvolver planos de suicídio. Devido a esse mesmo facto, na maioria das vezes a depressão é silenciada por ser confundida com a tristeza, sua existência é desvalorizada e, muitas vezes, normalizada. Automaticamente, as pessoas que sofrem deste problema sentem-se isoladas e incompreendidas. É normal ouvirmos em conversas de café que certas pessoas não “têm tempo para ficarem deprimidas”. Esse tipo de pensamento apenas cria mais barreiras e estigmas para quem sofre de depressão. Sendo assim, é imperativo sermos mais empáticos com as pessoas que estão à nossa frente, tentarmos calçar os seus sapatos e vermos o mundo através das suas perspectivas. Assim, talvez, o mundo tornar-se-á um sítio leve e com menos atritos.

É muito pouco provável que a depressão passe por si só. Portanto, o primeiro passo a ser feito é efetivamente aceitar que precisamos de ajuda e, em seguida, é necessário procurar auxílio dos profissionais – não, não pode ser o amigo, por mais boa vontade que o mesmo tenha. A depressão, tal como as doenças físicas, precisa de ser tratada. Em todos os casos o recurso à psicoterapia é fundamental e, em casos mais específicos, deve-se complementar o tratamento com a utilização de psicotrópicos. Existem, atualmente, diversos modelos terapêuticos com validação científica para o tratamento da depressão.

Por isso, se conhecerem alguém que possa ter uma perturbação de humor, o mais importante a se fazer é aconselharem a pessoa a procurar ajuda. Não devemos minimizar a depressão, antes pelo contrário, devemos ser ativos na procura de uma resposta. E, ainda, é importante lembrar: sem saúde mental não existe saúde física.

Luís Pinheiro - Psicólogo

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