Voz da Póvoa
 
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AO MEU PAI, ANTÓNIO

AO MEU PAI, ANTÓNIO

Opinião | 11 Abril 2026

 

Pai, hoje, 10 de Abril, se estivesses vivo, completarias 93 anos. E até sei que te sentirias orgulhoso de mim. Sempre chegou o dia de "falar do alto da burra", como tu dizias. Sempre me incentivaste, sempre puxaste por mim, meu querido Pai. "Corações ao alto!", dizias. Pai, hoje sou uma estrela do rock n' roll, um poeta reconhecido e, com a ajuda de outros companheiros e camaradas, vou mesmo fazer a revolução. O Trump e os outros palhaços que se cuidem, pois a Hora chegou! Além do mais, estou junto daquela que amo.

Pai, transmitiste-me os valores da ética, da justiça e do socialismo. Tu próprio abraçaste a causa do socialismo, foste presidente da Assembleia Municipal de Santo Tirso, juntaste-te aos operários nas Comissões de Trabalhadores da fábrica MIDA na Trofa, enquanto eras director fabril e mandaste às urtigas o patrão fascista. Depois desiludiste-te com o PS, nomeadamente com o "grande" Mário Soares. Ainda votaste no Otelo nas Presidenciais de 1976 e na Maria de Lurdes Pintasilgo e, posteriormente, votavas sempre em mim. Já, então, afirmavas que isto estava cheio de escravos e de atrasados mentais. Tinhas um coração enorme e uma inteligência fora de série. Nunca te vendeste ao dinheiro, ao poder e aos interesses. Desenhavas e fazias caricaturas como poucos e ias para o café estudar os teoremas de Pitágoras e de Fermat e a Matemática pura. Meu Pai, sei que nos reencontraremos no Céu mas, acredita, às vezes a tua voz ainda me guia e conforta como uma Luz Divina.

António Pedro Ribeiro, Sociólogo, cronista, poeta e diz de tudo nos Sereias...

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