Voz da Póvoa
 
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A vida não tem como nos dizer que não

A vida não tem como nos dizer que não

Opinião | 25 Abril 2026

 

Mas, tem gente capaz. Capaz nos dois sentidos. Ler para crer porque saber também ocupa lugar, o lugar que nos faz viver. Sou do tempo e acredito que sem tempo o vazio é o lugar onde se encontram todos aqueles que se renderam ao fascínio do virtual. Mas, o real mente simplesmente por ser virtual. Se passar a vida a sonhar nunca acordará a tempo de a viver. À ravessa de uma intenção quem nos morde não sabe ladrar. Há uma segunda vida que não conhece a primeira. Depois sim, pela vida fora faz por isso, por dar ritmo ao coração.

Um dia com muitos anos, num tempo que ainda crescia na minha cabeça uma vontade de palco inabalável, numa festa, não sei se de Natal, se final de Ano, apresentei no Liceu com outro amigo de turma do segundo ano de ciclo, um noticiário onde os textos informativos promoviam a gargalhada, ainda hoje sou avesso a notícias trágicas.

Curiosamente, não se desenhava no meu imaginário a longo prazo vontade alguma de um futuro ligado às rádios ou jornais, como veio a acontecer e ainda acontece. O que gostava mesmo era de escrever, escrever estórias. As pessoas, os lugares, a terra e as suas gentes sempre foram o cenário preferencial da narrativa. Li o que havia para ler do Santos Graça, de José de Azevedo, livros que integram a minha biblioteca, onde cabe sempre mais um. Não os li todos, mas todos passaram pelos meus olhos como uma espécie de antídoto, de cura. Uma frase, uma página, um capítulo com a promessa de um dia me entender com a narrativa.

Todos estes saberes nunca foram suficientes, continuo a surpreender-me com outras leituras, revistas, jornais. Mais do que dar notícias gostamos de informar, e informar pode ser através de um conto, um artigo de opinião, uma crónica, uma conferência, o teatro no seu e meu olhar crítico, um concerto, uma reunião, uma assembleia. A todos os colaboradores fico agradecido e ofereço-lhes a liberdade dos seus ventos e tempestades. São horizontes com todas as possibilidades. Tal como este jornal que se rejuvenesce em cada edição, em cada ano mais, seremos nós capazes desta mesma mestria. No teatro da vida, diria que no papel cada um se impõe. A escrita tal como as conversas são fios que se vão puxando.

O que nos move é o compromisso, respeitá-lo sem atender às diversidades. É por isso que nos mantemos íntegros, mesmo quando alguém nos testa a nossa sanidade intelectual com perturbáveis alíneas sem conteúdo, preenchidas por inusitadas repetições de quem parece não saber do que se trata, mas também não trata de saber.

Podemos sempre ser atropelados, mas é nossa convicção que atravessar na passadeira é sempre mais seguro. E por ser verdade podemos sempre ser acusados de mentir, mas temos uma certeza, quem nos lê, quem assina este jornal em duas dezenas de países, quem acredita que somos o seu melhor lugar comercial a promover os seus negócios, a todos agradecemos e prometemos trabalhar para assegurar a publicação deste jornal que quer continuar a ser a vossa voz.

Por: José Peixoto, director A Voz da Póvoa

Pintura em acrílico de Isabel Lhano

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