
Vivemos numa sociedade doente, esquizofrénica, onde estamos isolados, deprimidos e destruídos. A nossa vida emocional está atrofiada. Temos relações superficiais uns com os outros. O carácter mercantil nem ama nem odeia. Reinam a indiferença e a falta de interesse pelas grandes questões da Humanidade. O que importa é se a empresa é rentável, não o que é bom para o Homem. As pessoas estão transformadas em coisas e mercadorias. Segundo Freud, uma pessoa que se ocupa principalmente em adquirir e possuir é uma pessoa doente.
Somos como o mercado quer que sejamos. O sucesso depende do facto de como as pessoas se vendem bem no mercado. O que importa é vencer a corrida, com muitos concorrentes, a fim de alcançar o sucesso. Eis o capitalismo puro e duro. Fazemos parte da megamáquina, dentro da qual não passamos de uma peça. Eis a lei da selva. Eis o domínio do consumismo e das lavagens ao cérebro. Eis a trampa que nos vendem. Eis a vida que nos roubam. Foi para isto que viemos?
António Pedro Ribeiro, Sociólogo e poeta