Voz da Póvoa
 
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A pedra madura fugiu da herdade de Água Benta

A pedra madura fugiu da herdade de Água Benta

Opinião | 31 Julho 2026

 

Há quem nunca tenha iniciado, mas eu fumei e deixei várias vezes até que um dia nunca mais. Joguei futebol como qualquer puto que ouviu golos do Eusébio na rádio. Era uma felicidade que se ouvia e imaginava. Agora vê-se num ecrã, burros a fazer de burros ou dos outros burros. São sempre os mesmos a fazer as exéquias fúnebres de uma televisão que deveria acima de todas as coisas cuidar do serviço público. Mas, informação ou entretenimento parece ser encomenda do mesmo cúmplice. Não é tudo medíocre, mas há sempre algo de anedótico.

Fico com vontade de água tónica ao ouvir desbaratar tanta inocência julgada sem Gin. Ele é primeiros-ministros, segundos e terceiros, secretários de estado, presidentes de câmaras ou de juntas de freguesia com provas dadas na culpa e depois inocentes, como se o delito cometido fosse menor de idade. Podíamos e devíamos meter a mão na consciência e ter paciência, mas o cão pequeno só ferra no grande se ele deixar, se achar que se trata de uma diversão, do tipo cão que ladra não morde. 

“Deixem a justiça funcionar”, é uma frase que se ouve até pelos implicados, mas ninguém acredita numa justiça, ou melhor, num Ministério Público que dura dez anos a preparar uma acusação, que em muitos casos já é só meia ou menos porque parte do processo prescreveu. A desculpa é sempre a mesma – falta de meios e pessoas, subentenda-se Juízes, procuradores, escriturários polícias de investigação e outros menos, mas de repente aparecem 400 inspectores da polícia judiciária numa operação de busca pelo largado Rato que tem ruído a rolha na Sede do PS e numas quantas Juntas de Freguesia lideradas pelo mesmo partido, onde o ajuste directo aos amigos era uma prática tal e qual a dos outros partidos cujo poder dominam, mas já deu para perceber que isto é por sorteio ou à vez.

Há um partido, não sei se há, que tem um ministro no governo, um ou dois secretários de Estado e dois deputados na Assembleia da República, que foram eleitos nas listas do PSD, entenda-se que de outra forma teria apenas representação em uma ou outra Câmara Municipal desta plantação à beira mar. O seu líder percebeu que iria perder o tacho no Parlamento Europeu e assumiu o partido em cacos com a cunha de integrar uma coligação que só ou mal acompanhada ganharia as eleições legislativas. Agora, governa com apoios à direita ou à esquerda sabendo que os dois deputados do CDS não lhe servem para nada, a não ser para estorvar.
     
Os políticos expõem-se ao ridículo patrocinados por assessores do sexo híbrido, amantes do virtual, que já não vivem sem a rede. É uma questão de sobrevivência, cair fora é regressar aos antípodas da fala, do pensamento diverso, do trato analógico da criatividade. Mas ninguém despreza os jornais mesmo que tenha Faro como o de Vigo ou as revistas, servem sempre para embrulhar qualquer coisa como a redacção de esquecimentos, porque uma mentira mil vezes repetida não deixa de ser mentira. Na verdade, sem posses não há tomada de posse.

Pablo Rios Antão

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