Voz da Póvoa
 
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A Bufar as Papas Frias

A Bufar as Papas Frias

Opinião | 16 Abril 2021

A ideia das redes sociais não deve ser pensada para viver através delas, mas sim usa-las como ferramentas. Não fomos educados para a sua utilização. Tudo avançou à nossa frente e quando assim é, somos nós o objecto manipulável. A linha do pensar não vive do imediato como as redes sociais nos exigem ou provocam. Não podemos responder como se estivéssemos a conversar entre amigos, porque ali moram muitos ouvidos ávidos de nos triturar.
 
Hoje em dia, somos bombardeados por falsas notícias na Internet e a toda a hora, mas parece que ninguém está interessado em travar, legislando, prefere manter a confusão. A intenção é que não tenhas certeza de nada, que sintas um vazio preenchido por coisa nenhuma. Ensinam as pessoas a ler títulos para partilhar a notícia sem a ter lido. Às vezes bastava um exercício de memória para perceber a intencional mentira.

O papel escrito ainda continua a ser o mais verdadeiro, mesmo quando tem algum malabarismo de intenções ou tendências políticas. Mas, antes isso que a aldrabice, a inverdade, como lhe chamam agora.

Longe de mim pensar que os especialistas têm pele de urso, que invernam, e por isso decidem no seu tremendo sonambulismo. É do conhecimento médico, que uma vida saudável precisa respirar bem, mas aconselham-nos uma máscara. Apanhar sol é outra das riquezas naturais que ajuda a sorrir e a afastar-se das depressões, mas mandaram-nos para casa para nos protegermos. O Hitler pretendia uma raça pura e outra de escravos confinados, mas teve o apoio de milhões de pessoas e de milhares de médicos convictos e medricas, para levar o seu plano de extermínio avante.

Em tempo de distanciamento social, no parlamento estão todos interessados no combate à corrupção, mas não conseguem acordar entre si uma lei convincente e eficaz. A minha é sempre melhor que a tua e por via disso cada um fica com a sua. Pelo meio aprovaram a delação ou melhor, os bufos vão ser amnistiados por meter a mão onde o corrupto tinha a sua. No tempo do Salazar era consoante a vontade do freguês ou da Pide. Ele nunca teve coragem de passar o Bufo a lei.
 
O povo unido é uma carcaça dura de roer, só amolece na sopa. E aquilo que gostava mesmo de ouvir, era o nosso Primeiro anunciar o desconfinamento das finanças, da Segurança Social, dos tribunais, o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional e tantos outros serviços públicos que se trancaram com o telefone em descanso e o salário em dia, enquanto a vida do cidadão passa a resolver-se on-line. Ninguém nos quer ver crescer, só há quem nos pode.

Pablo Rios Antão

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