Voz da Póvoa
 
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88 Anos de A Voz da Póvoa

88 Anos de A Voz da Póvoa

Opinião | 25 Abril 2026

 

Oitenta e oito anos. É muito tempo para um jornal sobreviver. É ainda mais tempo se tivermos em conta o que está a acontecer ao jornalismo no mundo.

Vivemos, efetivamente, um período de enormes desafios, não apenas para o jornalismo, mas também para a nossa sociedade.

Em 2025, foram mortos 67 jornalistas no exercício da profissão. Outros 503 estão presos em 47 países. 135 estão desaparecidos. Não morreram por acidente. A RSF — Repórteres Sem Fronteiras – é clara: foram mortos, visados por causa do seu trabalho. Porque incomodavam.

Por outro lado, vivemos num tempo em que jornais locais fecham, em que jornalistas são intimidados, e em que o consumo das redes sociais “substitui” e ameaça o direito a uma informação credível. Proliferam mecanismos de desinformação, notícias são substituídas por mentiras e a imprensa é “substituída” por mensagens instantâneas de 5 ou 6 segundos, que não permitem desenvolver e contextualizar a informação.

É já um cliché, sinal dos tempos em que vivemos, mas, efetivamente, sem imprensa livre, a democracia fragiliza-se. Sem jornalismo local, as câmaras municipais governam sem escrutínio, as promessas não cumpridas acumulam-se e os cidadãos ficam mais sozinhos perante o poder.

Assim, celebrar os 88 anos do jornal A Voz da Póvoa é mais do que assinalar um aniversário. É um ato político.

É neste contexto que devemos valorizar o jornal A Voz da Póvoa, porque isso é valorizar exatamente o direito de saber o que se passa na nossa cidade e na nossa sociedade.

E o que se passa na nossa cidade merece atenção. Desde os problemas dos pescadores aos custos da habitação, passando pela vida das nossas associações, o jornal local desempenha um papel importante na construção da nossa democracia.

Importa valorizar, não apenas nestes textos que surgem por ocasião dos aniversários, mas também com propostas concretas. O PCP apresenta com regularidade propostas de apoio à comunicação social – apoios que não dependem de candidaturas ou decisões locais, e que, por isso, reforçam a autonomia e independência dos jornais locais. Infelizmente, tais propostas não são aprovadas, mas isso não significa que o caminho não possa ser percorrido.

A Voz da Póvoa nasceu em 1938. Sobreviveu à ditadura, às crises económicas, à chegada da internet, à pandemia. E aqui está – resiliente.

A Voz da Póvoa, 88 anos de resistência e de serviço público: parabéns. Que continue por muitos e bons anos.

 

Jorge Machado, membro da concelhia da Póvoa de Varzim do PCP

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