
O 1.º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, tem na sua origem a luta dos trabalhadores de Chicago (EUA), em 1886 - há 140 anos -, que reivindicavam a redução da jornada diária de trabalho.
A greve e as manifestações em que os trabalhadores de Chicago reclamavam 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas para a vida pessoal e familiar foram fortemente reprimidas, levando ao assassinato de vários trabalhadores e dirigentes sindicais, a detenções que conduziram a sentenças de morte e a violência física sobre quem lutava por uma vida melhor.
Importa repetir: 140 anos depois, o 1.º de Maio continua mais atual do que nunca.
Apesar de toda a evolução tecnológica, que comprovadamente permite produzir mais riqueza por hora do que há 140 anos, apesar da modernização dos métodos de produção e apesar de assistirmos a uma acumulação de riqueza em meia dúzia de pessoas e grupos económicos como nunca vimos, o Governo PSD/CDS tenta impor o retrocesso.
Em 2026, quando devíamos estar a discutir a diminuição da jornada de trabalho, o aumento dos direitos e dos salários – melhorando a distribuição da riqueza criada pelos trabalhadores –, porque a evolução tecnológica o permite e o caminho deve ser o do progresso, acontece precisamente o contrário.
O Governo quer impor, através de alterações ao Código do Trabalho, a facilitação dos despedimentos por via da não reintegração de um trabalhador despedido, mesmo quando o tribunal declare não existir justa causa para o despedimento. Quer ainda aumentar o número de horas de trabalho para além das 8 horas, através do banco de horas individual e grupal, ou seja, mais horas de trabalho e menos tempo para descansar ou estar com a família, mantendo o mesmo salário. Entre muitas outras medidas, pretende também aumentar a precariedade laboral, atacar os direitos dos trabalhadores, enfraquecendo os sindicatos e a contratação coletiva de trabalho, que consagra direitos em muitos setores.
Não estamos em 1886, mas em 2026. Contudo, os grandes grupos económicos, que encomendaram estas alterações ao Código do Trabalho, juntamente com o Governo PSD/CDS, querem legislação do século passado, querem andar para trás e aumentar a exploração de quem trabalha.
A greve geral de 11 de dezembro de 2025 foi uma resposta esmagadora à ofensiva em curso. O Governo insiste nas alterações ao Código do Trabalho, que apenas servem os já muito ricos e poderosos. As manifestações populares do 25 de Abril e, sobretudo, do 1.º de Maio mostraram que os trabalhadores, de diferentes setores e com sensibilidades muito distintas, disseram não a este retrocesso. Face à intransigência do Governo, a resposta só pode ser uma: a luta organizada dos trabalhadores.
Por isso, a greve geral anunciada para o próximo dia 3 de junho, para travar este pacote laboral, pode e vai ser a resposta que se impõe.
É caso para dizer que, 140 anos depois… a luta continua.
Jorge Machado, membro da concelhia da Póvoa de Varzim do PCP