Num dos poemas da ‘Mensagem’ de Fernando Pessoa encontramos “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Concluída a obra com uma providência cautelar pelo meio, uma pandemia, e muitas vozes da oposição contra, mas ‘Deus quis, Aires Pereira sonhou, o Póvoa Arena nasceu’. A inauguração aconteceu no sábado, 5 de Julho, com espectáculos de dança das academias AM Dance Studio, Dancing Rebels, Sportdance, Ginásio de Aguçadoura, RP Dancers e Gimnoarte, mas também acrobatas, malabarismo e magia, tudo a acontecer em dois palcos montados no exterior.
Descerrada a placa pelo Presidente da Câmara Municipal, o espectáculo continuou no interior com as bancadas a receber a primeira enchente.
A tarde era de festa e de agradecimentos. Aires Pereira percorreu na memória os nomes de entidades que acompanharam e apoiaram o projecto, mas o aplauso maior foi para o arquitecto da obra, Rui Bianchi. Sobre o multiusos agora inaugurado, o Edil recordou que “este foi o projecto mais controverso, mais longo, e aquele que mais dificuldades teve para chegarmos ao dia de hoje. Mas, aqui estamos, como todas as coisas difíceis esta também foi conseguida. Relembro coisas difíceis do nosso país, Expo98, Centro Cultural de Belém, Casa da Música no Porto, foram projectos muito discutidos. Este não passou à margem disso, foi um projecto onde eu e o Dr. Luís Diamantino tivemos, inclusive, ameaças de morte, mas não há morte que nos leve quando estamos a construir o sonho que acreditamos verdadeiramente”.
Para o Presidente da Câmara é um projecto que “fica bem na Póvoa de Varzim e terá naturalmente uma utilidade enorme para as gerações futuras e para aquilo que nós pretendemos, sobre o ponto de vista da mais-valia que ele há-de trazer para toda a região, porque é um projecto para a Póvoa de Varzim, para a Área Metropolitana do Porto, para o Norte de Portugal, ou seja, é um projecto que marca a diferença em Portugal e sem sombra de dúvida um espaço de referência para poder ser ocupado durante todos os dias ao longo do ano, e dessa forma trazer a mais-valia que pretendemos em função do investimento que aqui foi feito”.
A obra foi paga integralmente com os dinheiros das verbas da Zona de Jogo, e é um projecto que “tem por objectivo combater na Póvoa de Varzim, a sazonalidade. No verão não é preciso vir mais gente, temos que chegue, mas temos mais nove meses que precisamos ter actividade, cultural, desportiva, comercial, económica, é para isso que serve este equipamento”.
Aires Pereira lembrou que o Póvoa Arena é o resultado da escolha dos poveiros ao ser duas vezes sufragado pelo eleitorado com “maiorias expressivas e por isso está realizado. Portanto, este projecto deve-se, única e simplesmente, aos poveiros, àqueles que escolheram este caminho, que é o caminho do progresso, o caminho que continuará a afirmar a Póvoa de Varzim como um destino de excelência”.
No final, a arte do espectáculo traduziu-se numa combinação performativa do grupo Genesis, entre o acordeão e um bailado, a evocar o imaginário europeu do cinema francês e italiano. Seguiu-se Opera Intermezzo, um quarteto de canto lírico a interpretar temas de ópera, operetas e árias napolitanas.
Por: José Peixoto
Fotos: Rui Sousa