Voz da Póvoa
 
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Poveiros Preservam a Tradição do Mercado Aberto de Flores

Poveiros Preservam a Tradição do Mercado Aberto de Flores

Local | 1931 | 6 Novembro 2019

Mesmo sem a bênção do santo padroeiro, a tradição ainda é o que era. No Dia de Todos os Santos, os poveiros cumprem um ritual de saudade e vão ao cemitério homenagear com flores os seus entes já falecidos. Por isso, o Mercado Aberto de Flores, que decorreu na véspera, a 31 de Outubro, ofereceu um colorido floral ao interior do Mercado Municipal. O tempo chuvoso impediu que se realizasse na Praça Marquês de Pombal, como era desejo de todos, mas nem por isso a azáfama foi menor.

Este ano, o Mercado Aberto de Flores contou com a participação de 47 produtores/comerciantes exclusivamente da Póvoa de Varzim, que preencheram todos os talhões disponíveis. Apesar do acondicionamento no interior do Mercado Municipal obrigar a uma grande logística e compreensão por parte de comerciantes e clientes, o misto de cores e de fragâncias garantiram uma outra dinâmica à actividade comercial do espaço, como a nossa reportagem teve a oportunidade de registar.

Susana Alves é de Amorim e todos os anos faz questão de ajudar a sogra a vender flores neste dia: “É pena que a chuva tenha afastado as pessoas. Com sol o negócio corre sempre melhor, porque há quem prefira ir às floristas. Hoje tenho à venda crisântemos, de várias cores, ao gosto do freguês”.

Rosa Maria é de Rates, tem 63 anos, e há 20 anos que possui uma banca no Mercado. “Tenho um pouco de tudo, verdes, rosas, arranjos. Nasci Rosa, portanto só podia gostar de flores e de rosas em particular. Para produzir flores é preciso cuidar com muito amor e carinho. Este ano as vendas foram mais fracas, não vi grande povo. Há muita concorrência e havendo muitos dias de feira o povo espalha-se e já não aparece. A minha saúde também já não ajuda, mas enquanto puder vou continuar a produzir flores e a vir ao mercado vender”, confessou.

Ocupando grande parte da escadaria, com flores para todos os gostos, encontramos Sandra Santos, de 38 anos, que colheu do marido a paixão por esta actividade: “Vendo flores todo o ano, já que temos uma florista no 3º piso do Mercado Municipal. Hoje tive que ocupar a escadaria, porque temos uma grande variedade de flores ornamentais e arranjos. A maior parte da produção é do Montijo. Nós não somos produtores, apenas comercializamos. As vendas correram bem. Os clientes regateiam sempre o preço, mas faz parte do negócio. Gosto muito de trabalhar com flores e a tradição ainda se mantém neste dia. Faço isto desde que casei, há 15 anos. O meu marido era florista e acabei por ficar com a mesma paixão”.

Se em relação ao negócio as opiniões dos comerciantes se dividiam, quisemos também saber a opinião dos clientes. Álvaro Barros, 60 anos, compra regularmente flores no Mercado Municipal e desabafou: “Venho cá semanalmente, porque enfeito a Igreja Matriz, e hoje encontrei alguma confusão. Devia haver um pouco mais de ordem, já que há lugares vazios lá em cima e os comerciantes estão todos cá em baixo, todos muito juntos. Neste dia optei por comprar crisântemos e verdes”.

João Borges, 65 anos, foi às compras acompanhado pela esposa. “Vimos sempre neste dia comprar flores para o cemitério. Hoje levamos crisântemos, que é a flor típica da época. Os preços estão um pouco inflacionados, por ser este dia, mas dentro de um preço que considero razoável. A minha esposa costuma regatear o preço, já eu sou mais contido, dou o que me pedem. O Mercado das Flores é mais bonito quando acontece lá fora, no jardim, mas o tempo hoje não permitiu. Ainda assim, cá dentro, está bem estruturado. E muitos dos que compram flores, acabam também por levar um peixinho para casa”, gracejou.

A mesma opinião tem Graça Lages, de 56 anos: “Costumo vir ao mercado de vez em quando e hoje não podia faltar. Levo coroas imperiais, que são muito bonitas”.

Pedro Adães, coordenador do Mercado Municipal, explicou a logística aplicada neste dia: “Tivemos 47 comerciantes inscritos com produção e/ou estabelecimento comercial no concelho da Póvoa de Varzim. Face às condições climatéricas, tivemos que acondicionar todos os vendedores de flores no interior do Mercado Municipal. De manhã bem cedo tivemos muita afluência e acredito que os comerciantes ficaram satisfeitos com as vendas realizadas”.

O Culto da Fé no Dia de Todos os Santos

O Dia de Todos os Santos, celebrado a 1 de Novembro, foi aproveitado pelos católicos para a tradicional ida ao cemitério, com o objectivo de orar pela alma dos familiares e entes já falecidos, e participar nas celebrações religiosas.

Tanto no cemitério nº 1 como no nº 2, a azáfama foi grande durante toda a manhã, com a limpeza e embelezamento das campas para a cerimónia religiosa da tarde.

À porta dos cemitérios, vendedores de flores faziam os últimos negócios. Independentemente da bolsa de cada um, não faltaram velas e flores, numa romaria de saudade pelos familiares e amigos que já partiram.

Durante alguns anos houve a abolição deste feriado, mas nem por isso os poveiros deixaram de honrar um dia carregado de grande simbolismo para a fé cristã, a tradição do Dia de Todos os Santos.

 


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