Voz da Póvoa
 
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Desfolhadas da Alegria

Desfolhadas da Alegria

Local | 1926 | 2 Outubro 2019

O Pão Entre as Mãos e o Forno

Somos levados para o passado quando o presente nos aparece em tradição. A viagem é longa. Tinha início com a arranca da batata, onde a terra recebia o milho, não para comer mas para frutificar. Brotava da terra como copo de asas. Depois era mondado para crescer sem afronta de milheiro por perto até dar espiga.

Em tempos era habitual desfolhar uma espiga de leite para assar na brasa. Também os animais recebiam na manjedoura os tendões do milho que era cortado por mãos sábias, antes de secar. Quando do verde sobrava apenas o amarelar seco, era feita a sega por foicinhas afiadas e aos molhos carregado em carros de bois. Depois eram descarregados na eira para a desfolhada. As gentes da aldeia juntavam-se em cantares e alegrias resultantes do avermelhado milho-rei que dava direito a abraço, um beijo ou um pé de dança com a menina dos nossos olhos.

O tempo foi-se embora mas ficou a tradição. Por isso o Centro Social Bonitos de Amorim organizou com a vontade do seu grupo de cantares mais uma desfolhada, com todos os passos para que a tradição revivesse.

Os componentes do Grupo de Cantares do Centro Social Bonitos de Amorim juntaram-se a um grupo de pessoas que respondeu ao convite e foram, primeiro ao campo segar o milho, depois desfolharam parte dele, ensacaram as espigas e carregaram um tractor. A outra parte do milho segado foi amontoada num carro de bois.

Do campo até ao Largo de Santo António, na freguesia de Amorim, onde se realizou a desfolhada noturna, o Grupo de Cantares do Centro Social Bonitos de Amorim deu vivas ao seu nome e caminhando e dançando atrás do carro de bois foi semeando uma contagiante alegria.

A noite que se apresentou com uma temperatura amiga, contou com a presença da vereadora do Ambiente, Sílvia Costa, e uma carrada de gente para a tradicional desfolhada. Para animar a festa houve cantares ao desafio com Zé de Braga e Diana Fraga, mas também muito riso com os divertidos Traquinas das Teclas.

Para que tudo siga o caminho do sucesso, há sempre alguém que toma a rédea. Carmen Santos, responsável pelo Grupo de Cantares do Centro Social Bonitos de Amorim, estava feliz com a iniciativa e agradece a todos os colaboradores: “Esta tradição foi-me incutida pelos meus sogros e pela minha mãe. Comecei a ganhar gosto seguindo-os no seu saber e nos dois últimos anos tenho assumido a organização desta desfolhada com a ajuda dos meus colegas. Houve muita gente que aderiu à iniciativa e acompanhou-nos desde o campo, onde fomos segar o milho e carregar o carro de bois. É sempre bom ver as pessoas felizes por reviver um tempo que não volta, mas que podemos sempre relembrar”.

 

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