
O grupo francês Lucien Barrière que assumiu a concessão do Casino da Póvoa de Varzim, no dia 1 de Maio, sucedendo à Varzim Sol, empresa que deteve a exploração nas últimas décadas, tem planos para fazer regressar um tempo que deixou saudades a residentes e visitantes, com modernas opções de jogo e investimentos como a recuperação e modernização do edifício, e na diversão. O Grupo foi fundado em França em 1912 por François André, e detém casinos e hotéis em vários países.
Heitor Freitas, que trabalha há cerca de 25 anos no Grupo Barrière, e é Director-geral Adjunto do Casino da Póvoa reconhece que a estratégia do Grupo passa por uma cada vez maior internacionalização: “Temos um hotel em Marrocos, em Nova Iorque, um projecto em Lisboa, temos estabelecimentos no Médio Oriente. Ou seja, trata-se de um projecto de desenvolvimento com expansão a nível internacional”.
Chegar, ver e apostar no Casino da Póvoa: “O grupo estudou o potencial do Casino da Póvoa. Achámos que era muito forte, porque a região Norte de Portugal tem uma actividade que cresceu muito nos últimos anos, quer a nível turístico, quer a nível económico, por isso, achámos que o terreno era favorável ao desenvolvimento do grupo na Europa. Era uma excelente oportunidade de investir em Portugal, primeiro iniciámos um projecto em Lisboa de um hotel, e agora no Casino da Póvoa de Varzim”.
E sublinha: “Quando chegas a um sítio que não conheces, tens primeiro que te adaptar ao lugar, depois conhecê-lo em detalhe. Achámos que era mesmo uma oportunidade estratégica de crescimento para o grupo, porque tem um aeroporto muito perto, assim como grande proximidade e de serventia com várias cidades. Além de que a Póvoa é uma cidade marítima muito procurada”.
Para o grupo Barrière, segundo Heitor Freitas, actualmente a aposta está apenas focada no Casino: “Queremos que o Casino da Póvoa volte a ser um destino não só turístico, mas um destino de jogo, de eventos, de espectáculos, de bons restaurantes. Sabemos que alguns estão fechados desde a pandemia e, queremos, pelo menos dois abertos diariamente com ofertas diferentes. Queremos tornar a abrir o Casino ao público e não só aos jogadores, porque é esse o ADN da Barrière. O jogo tem lugar central é claro, mas queremos tornar a experiência do cliente positiva, única, que vai diferenciar o Casino da Póvoa dos outros. Há um plano de investimento importante que ainda está a ser discutido e estudado em profundidade. Mas será feita uma renovação progressiva do espaço físico do edifício de acordo com os padrões da Barrière. Modernizar a oferta para aumentar a atractividade”.
A concessão ainda não completou um mês: “Estamos a aprender, a ver como é que as equipas que encontramos funcionam, elas que conhecem este Casino melhor que nós, conhecem os clientes, a população poveira. Nesta transição mantivemos, por enquanto, o cartão cliente que acumula pontos, que fideliza, e que vinha da antiga concessionária, para os clientes não perderem o benefício dos pontos que tinham antes. Pretendemos também renovar o edifício e a oferta de jogos. Sabemos no entanto que a lei de jogo não é igual em França e em Portugal. É preciso adaptar. Queremos fazer regressar o Póquer que encerrou com a Pandemia. Trabalhou bem durante muito tempo, reflectimos sobre isso e será uma das nossas apostas a curto prazo”.
Quanto a infraestruturas como as piscinas que integram a concessão de jogo, Heitor Freitas revela que “as piscinas são geridas por uma empresa Municipal e assim deve continuar. Reunimos com a senhora Presidente da Câmara e pretendemos manter esta relação de comunicação e trabalho conjunto. Queremos continuar a dar passos seguros, a ver oportunidades. Aliás, o plano de renovação do edifício e da oferta de jogo, está pensado para os próximos 2 ou 3 anos. Agora, estamos a ver o que podemos fazer acontecer de forma breve para assinalar a nossa chegada. Nestes 20 dias já deu para ver, quer dos clientes, quer das nossas equipas, que as expectativas são muito elevadas, pelo facto de ter chegado aqui o Grupo Barrière. Estamos a pensar se ao nível de jogos ou restauração, se podemos fazer melhorias ainda antes do verão, mas ainda é cedo para poder avançar com datas”.
Barrière quer Todos os Caminhos a Desaguar no Casino da Póvoa
“Há aqui um ponto em comum com os casinos franceses, que são sempre muito importantes nas localidades onde estão implantados. O Casino como ponto central, quer seja em termos de emprego, de animação, de cultura, de espectáculos, e isso já estamos habituados. Os casinos são símbolos de atractividade das cidades”.
As empresas concessionárias dos casinos estão sempre ligadas às artes e ao espectáculo. Quisemos saber se o Prémio Casino da Póvoa Correntes d’Escritas continuará a ser patrocinado pela Barrière: “Ainda não foi negociado. Aspectos mais particulares de patrocínios, de apoios, ainda não sou capaz de responder, mas posso dizer que a Barrière também aposta nas artes. E aqui na Póvoa também temos essa vontade de participar, de estar presente e de ser um apoio na vida local associativa e cultural. Temos que definir os meios e os critérios”.
Podemos esperar um Casino mais animado com outra atractividade ao nível do jogo e do espectáculo? “Estamos numa fase de observação de procura de melhores respostas também culturais, mas temos de cumprir os compromissos do contrato, dois espectáculos por mês no Salão de Ouro. Queremos modernizar a oferta de jogos com novas máquinas e oferecer novidades nesse aspecto. Melhorar também os conceitos de restauração no Casino da Póvoa, reforçar a programação artística, trazer um toque francês também nos espectáculos, temos que ser um destino dos turistas que chegam ao Porto. O Casino como oferta de jogo, de boa cozinha, de bons espectáculos. Quem sabe, haverá também lugar, um dia ou outro, para a cozinha francesa, sabendo e reconhecendo que a cozinha portuguesa é muito rica e diversa. Digamos que teremos uma gastronomia portuguesa com um toque francês. Depois, a cidade também tem a sua própria oferta a ajudar no chamamento”.
O reforço da programação cultural e de entretenimento é um dos objectivos da Barrière. Heitor Freitas anuncia para o dia 18 de Junho a inauguração oficial do Casino: “A direcção da Barrière estará presente, os proprietários do grupo, Alexandre Barrière e a irmã Joy Desseigne-Barrière, que vão também juntar-se num jantar institucional para clientes e convidados. Porque, como dizia antes, é importante integrar a vida local. No final do jantar teremos um grupo francês em palco que vai adaptar o espectáculo à cultura portuguesa. São artistas com quem trabalhamos”.
O Director-geral Adjunto do Casino da Póvoa, fundado em 1934, acima de tudo, promete manter os padrões de qualidade a todos os níveis: “As coisas não podem mudar de um dia para o outro. Mas com o tempo, nós queremos que o casino venha a ter estes padrões. É com muito orgulho que a Barrière está aqui na Póvoa. Pessoalmente também, porque regresso ao país dos meus pais. Foi sempre um sonho, um objectivo que tinha ficado um bocadinho para trás e que esta oportunidade trouxe. É com muito orgulho, muita vontade, muita força que estou aqui a representar a Barrière, e a fazer tudo para que este Casino volte a ter o lugar que merece. Pôr o Casino da Póvoa outra vez no mapa, não só dos casinos portugueses, mas dos destinos turísticos, e que seja um destino em si próprio”.
Por: José Peixoto
Fotos: Rui Sousa