Voz da Póvoa
 
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Estamos Podres de Saber que Restos Alimentares não são lixo

Estamos Podres de Saber que Restos Alimentares não são lixo

Local | 16 Maio 2021

O Diana-Bar, que alberga a biblioteca de praia, foi o palco escolhido, na quinta-feira, pelo Município da Póvoa de Varzim, para a apresentação da estratégia para a Recolha Selectiva de Biorresíduo, que passa pela implementação de novos circuitos de recolha de Resíduos Urbanos Biodegradáveis – RUB, resíduos verdes e restos alimentares, presentes nos resíduos indiferenciados, em que as novas tecnologias terão um papel primordial.

Sílvia Costa, vereadora do Ambiente, fez uma explicação dos novos equipamentos onde serão depositados os Biorresíduos. De seguida passou a palavra a Alexandra Pericão, directora do Departamento de Educação e Sensibilização Ambiental da SUMA, que explicou o conceito que levou à apresentação do projecto agora em marcha, no concelho da Póvoa de Varzim. por último, Aires Pereira, presidente da Câmara Municipal mas também da Lipor, ofereceu aos presentes uma lição de como nos devemos comportar com os resíduos produzidos no nosso dia a dia, no sentido de tornar o planeta sustentável para as gerações futuras.
 
“Este processo de introdução de um novo fluxo, através de uma candidatura que o município fez para a recolha dos biorresíduos, que são mais do que resíduos alimentares, é também aquilo que resulta dos verdes que temos em casa, no jardim, é sem sombra de dúvida um fluxo muito importante, porque isso pesa cerca de 40 por cento no nosso contentor indiferenciado. Isto tem um custo de 59 euros a tonelada. Em conjunto com isto teremos que ter um incentivo para a redução daquilo que é a factura das famílias ao final do mês. Temos que lhes retirar este biorresíduo, porque é aquele que é mais pesado, que tem mais água e aquele que mais nos incomoda em casa. Não teremos grande incómodo com o vidro ou as embalagens, mas o biorresíduo é aquele que se decompõe, que cheira, que nos incomoda e também aquele que contamina resíduos que podiam ser reciclados. É um projecto que vai contribuir para a produção de adubo, porque é através de um processo de compostagem que nós fazemos a valorização deste resido”, esclareceu Aires Pereira.
 
O futuro poderá trazer uma redução nas taxas a pagar pelos munícipes: “estamos com o nosso projecto Porta a Porta e com os diversos fluxos ao nível dos 8 municípios da Lipor. Estamos a construir uma base de dados que nos permite fazer a caracterização daquilo que é o perfil de cada individuo identificado na cadeia de recolha de resíduos. Os municípios da Lipor já assumiram este compromisso para 2022/23, onde pagamos em função daquilo que produzimos e não em função da água que consumimos, porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. É esse o caminho e o compromisso que fazemos com as pessoas que colaborarem connosco e com o planeta no sentido de fazerem a separação dos resíduos, quer seja em casa no sistema porta a porta, quer seja nos sistemas colectivos, a resposta será uma factura muito inferior aquela que hoje todos pagamos”.

O caminho a fazer na defesa de um planeta sustentável é inevitável, esclarece Aires Pereira: “Estamos todos a fazer um esforço para passarmos de uma Economia Linear, onde extraímos, produzimos, consumimos e deitamos fora, para uma Economia Circular, em que nós reduzimos reciclamos e reutilizamos. São estes conceitos que fazem com que gastemos cada vez menos matéria-prima e o planeta não é algo que é infinito. Todos sabemos que o consumo que a nossa presença tem e o esforço que faz sobre as matérias-primas, está a começar a tornar o planete insustentável. Temos que viver da mesma forma mas com menos. Este é o caminho”.

As taxas de adesão da população atingiram já os 92 por cento: “As pessoas estão a compreender, às vezes com dificuldade, porque há casas que são mais pequenas e que não tem sitio onde colocar os contentores. Depois a carência de alguns prédios que não tem a casa do lixo, que hoje é obrigatório na construção. Temos soluções que vamos fornecendo, em função das pessoas que estão disponíveis para colaborar neste projecto, com dias diferentes de recolha. A adesão tem sido excelente”.

Aires Pereira acredita que todo o processo vai ser compreendido sem grandes dificuldades: “Vamos explicar a cada uma das pessoas que vão fazer parte deste projecto, através quer de imagens, quer de material que vamos distribuir para ajudar as pessoas a distinguir. Mas é tudo muito simples. Aquilo que é resultante da produção de alimentos, quer seja cascas de legumes, frutas ou restos alimentares vai para o contentor castanho, tudo o resto tem um fluxo próprio para ser dirigido, mas é essa a campanha que lançamos aqui hoje”.

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