Voz da Póvoa
 
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Entre o Silêncio a Dúvida Não Se Apressa

Entre o Silêncio a Dúvida Não Se Apressa

Local | 1949 | 25 Março 2020

Nas últimas décadas o mundo pulou e avançou tão rápido e de uma forma tão exigente que o tempo escasseava para tudo. A tertúlia, o descanso, a casa, os filhos, a paixão, o amor, tudo passou a chamar-se carreira. Assentar num lugar de rotina era passado, embora a restante vidinha fosse toda rotina. Buscar ou levar os filhos ao colégio, à escola, ir ao ginásio, cozinhar, dar um jeito no arrumo da casa, deitar, cumprir, levantar a horas. Horário para tudo, quase sempre sem tempo para nada.

Num repente, vindo do silêncio, com nome de cerveja mexicana, primeiro infectou, depois contagiou, a cura não surgiu e o óbito aconteceu. O número aumentou, atravessou no corpo humano fronteiras e instalou-se em todos os continentes, declarando uma silenciosa guerra global. As pessoas hesitaram no medo. Sem perceberem o que se estava a passar, atafulharam a dispensa e o outro cristão que se amanhe, que se interrogue sobre a Quaresma ou a partilha do pão pelas mãos do Cristo.

Os países, uns mais outros menos, foram criando as suas defesas para tentar estancar a morte e descobrir uma forma de contra-atacar pela vida. Talvez o número nos pareça astronómico, mas em todo o mundo 900 milhões de pessoas isolaram-se nas suas casas, cumprindo uma ordem pela desordem dos seus governos. Sair à rua apenas para o essencial da sobrevivência.

Com o lento correr dos dias as pessoas disciplinaram-se e partiram para uma rotina diária sem precedentes. As ruas só olham gente nas filas dos hipermercados, supermercados, minimercados, mercearias, padarias, restaurantes com Takeaway, quiosques, correios ou bancos. Há ainda quem caminhe junto ao mar, com a distância do medo, um sorriso e um aceno.

A casa é agora o nosso refúgio mais seguro, onde, no entanto, não podemos desprezar cuidados higiénicos, preventivos. Agora, em casa podemos reatar conversa, saber mais do nosso passado. O pai, a mãe, os avós sabem de um tempo mais longe, de outras guerras vencidas. E se até em casa a distância obriga, procure terminar qualquer coisa que começou e não acabou, com a famosa desculpa da falta de tempo.

 


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

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