Voz da Póvoa
 
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Associação Empresarial Quer Um Novo Rumo

Associação Empresarial Quer Um Novo Rumo

Local | 6 Setembro 2021

A Associação Empresarial da Póvoa de Varzim (AEPVZ) foi fundada a 13 de Abril de 1893 e contempla uma longa história no apoio às empresas do concelho. Não tem fins lucrativos nem as suas direcções algum dia foram assalariadas. No último acto eleitoral, Joaquim Araújo mereceu a confiança da maioria dos associados eleitores e tomou posse como seu 38º Presidente.
 
“O meu filho José Araújo foi presidente da Assembleia Geral da Associação Empresarial, durante dois mandatos, entre 2012 e 2018. Nessa altura, abordou-me para me candidatar porque sentia que a direcção não estava a ir pelo melhor caminho. Descartei essa possibilidade porque a minha vida profissional não o permitia. No final do ano, passado fui abordado por pessoas que sabiam desse primeiro convite e convenceram-me a abraçar este projecto. Reconheço que no início hesitei porque continuo ligado a duas empresas há muitos anos e a ter muitos afazeres, logo conjugar com o trabalho da Associação não seria fácil. Acontece que estou a desligar-me um pouco de uma empresa, onde presto assistência, e isso, vai-me libertar tempo para a Associação. Daí ter aceitado o desafio de integrar uma lista que acabou por vencer as eleições na Associação Empresarial”, recorda.

Joaquim Martins de Araújo nasceu em 1955, na freguesia de Balasar e depois de casar passou a viver na Póvoa de Varzim. Concluiu o Curso Geral dos Liceus e ainda fez a aptidão obrigatória à Universidade, mas um emprego numa empresa têxtil, perto de casa dos pais, falou mais alto: “Ainda tentei fazer a licenciatura em Direito sem frequentar a universidade, estudando em casa e fazendo os exames, mas o meu foco era o trabalho e não consegui conjugar. A multinacional onde trabalhava acabou por entrar em rutura e encerrou. Como tive que me fazer à vida, criei em 1979, com dois amigos, uma empresa e nunca mais parei. Comecei na indústria têxtil e continuei no mesmo ramo. Actualmente, embora mantenha a componente têxtil a Orcopom é uma empresa de uniformes e equipamentos de protecção individual”.

Os empresários, ao contrário dos funcionários, não têm um horário: “Trabalho quando é preciso e as exigências empresariais obrigam. As responsabilidades de um empresário em Portugal são muitas e as leis, cada vez, são mais rigorosas. Também penso que só deve ser empresário quem tem vocação empreendedora, ser empurrado para o negócio pode não funcionar e acabar por não conseguir manter a empresa”.

Para Joaquim Araújo, a Associação Empresarial da Póvoa de Varzim tem um historial respeitável, mas precisava de um rumo ao futuro. “As associações concelhias, empresariais ou comerciais, ou hibridas (comerciais e industriais) não são sectorizadas, são associações que olham para os interesses do concelho e ajudam, em geral, os empresários, seja do comércio, da distribuição, da indústria ou de empresas unipessoais, de pessoas que por uma questão legal ou por conveniência são obrigados a formar uma empresa. Eu acho que as associações empresariais ou comerciais têm toda a razão de existir porque podem ser o motor da dinâmica económica do concelho. As autarquias têm que olhar para a riqueza concelhia, criando condições de instalação de empresas, mas acho que a associação empresarial pode agregar negócios em série, que se forem bem coordenados trazem muitos benefícios económicos para o concelho”.
 
E acrescenta: “Temos exemplos bem perto, de associações que funcionam muito bem e em consonância com as autarquias. Infelizmente, na Póvoa de Varzim não era isso que acontecia. A associação estava de costas viradas para a autarquia e isso não ajudava em nada o desenvolvimento da economia do concelho. É isso que estamos a tentar inverter e temos o dever de o fazer. Ou seja, temos que cooperar com a autarquia porque quem sai a perder são as empresas da Póvoa”.

Angariar mais Sócios é Sinónimo de Confiança

Num concelho com milhares de empresas, faz pouco sentido a Associação Empresarial ter apenas algumas centenas de associados: “É fruto da pouca dinâmica e da inércia com que estava a ser gerida. Não se justifica de outra maneira. Num concelho onde existem milhares de empresas activas, não se justifica que a associação tivesse tão poucos associados activos. Penso que o caminho que a associação estava a seguir só podia levar à sua inactividade porque estava a perder 10% de sócios ao ano. No fundo, a associação não estava a fazer aquilo que lhe compete, que é olhar pelo bem das empresas e agregar os associados, criar dinâmicas para que as empresas sejam produtivas e isso não estava a acontecer”.
 
Segundo Joaquim Araújo, existem fundos europeus que podem ser vocacionados para o desenvolvimento das empresas locais: “É um papel que as associações empresariais têm que ter, assim como parceiros em quem confiar, para depois junto dos associados promoverem esses financiamentos ao comércio ou à indústria. Surgiram medidas de apoio com a pandemia e houve empresários que por desconhecimento não concorreram. Antes das eleições, em contacto com alguns associados, percebi que havia esse desconhecimento e queixavam-se da falta de informação da associação. Há muitos projectos de financiamento, embora estejamos numa fase de transição do programa 2020 para 2030, mas existe muito dinheiro que vai entrar e tem que ser aproveitado em benefício das empresas e por sua vez do emprego. O papel da associação empresarial tem que ser o de informar e divulgar, mas também o de proximidade com os associados para que se sintam acompanhados e possam usufruir desses apoios e financiamentos. O nosso propósito é alavancar o negócio das empresas do concelho, sejam comerciantes ou industriais”.

O empresário e presidente da AEPVZ avisa que, “algum comércio local não está dinamizado o suficiente para poder sobreviver. Há que criar medidas e actualizações inovadoras que garantam a segurança e a higienização das lojas comerciais. A nossa autarquia procura que a Póvoa tenha turismo de qualidade e temos que dar condições a essas pessoas para que tenham vontade de gastar dinheiro no comércio local e na estadia. As pessoas têm que sentir segurança quando entram numa loja, num café ou restaurante”.

No Parque Industrial de Laúndos há um terreno e um projecto na gaveta: “É um projecto que temos para concretizar a médio prazo, até por imposições da Câmara Municipal. Esse terreno foi cedido com a condição da Associação Empresarial formar um Centro Empresarial de apoio às empresas instaladas na Póvoa. Ainda não estudei o dossier, mas provavelmente, vamos alterá-lo porque a realidade que existia há 10 anos, quando esse protocolo foi assinado com a autarquia, não é a mesma de hoje. Vamos actualizá-lo e acredito que nestes três anos, o Centro Empresarial de Laúndos possa passar do projecto à obra e estar a funcionar antes do final do mandato. É um desígnio que vamos dar prioridade, sabendo que não se pode fazer de um dia para o outro”.

Joaquim Araújo teve conhecimento das acusações da lista perdedora encabeçada pelo anterior presidente, mas diz que, “os argumentos utilizados não têm razão de ser e penso que foram usados de cabeça quente, por quem não sabe perder. As críticas não têm base de sustentação. Uma das afirmações é de que a associação se estava a imiscuir politicamente com a autarquia. Isso é uma estupidez. Está nos estatutos que a autarquia e a associação devem cooperar. Um presidente da direcção que diz «o que é da política é dos políticos e o que é da associação é da associação» está a negar os estatutos. Por isso, não dou importância às acusações. Na Póvoa ou noutro concelho tem que haver sinergias entre as principais entidades para que as coisas funcionem. Não queremos que a associação se transforme numa quinta onde nos instalamos lá dentro. A associação é dos associados, não é da direcção. Estatutariamente, está feita para que proteja e beneficie os associados e é isso que queremos”.

Há no Futuro uma Nova Mentalidade para Agarrar

“Os empresários têm que ter confiança no futuro. Da nossa parte, tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar as empresas, cá estaremos. Temos um projecto de divulgação da Indústria 4.0 - construir a empresa digital, tendo em conta as empresas familiares, que representam cerca de 98% no concelho. Vamos fazer essa divulgação, com seminários, workshops, para que as empresas aproveitem. Vamos tentar que os empresários estejam connosco de forma a se repercutir na economia local”.

A formação profissional é também uma aposta para continuar e melhorar, reconhece Joaquim Araújo: “Acabaram alguns cursos que ainda vinham da direcção anterior e estão outros a funcionar. Neste momento, há um plano de formação profissional até final de 2022. Os planos foram feitos pela anterior direcção e a maioria dos cursos estão um pouco desajustados da realidade e das necessidades do tecido empresarial. Há cursos que não trazem benefício às empresas e provavelmente vão ser ajustados. A lei permite fazer alterações aos conteúdos e nos cursos desde que não seja alterada a génese do plano de formação”.

E revela: “A lei obriga as empresas a dar 40 horas de formação aos funcionários em cada ano. Os nossos cursos são dados gratuitamente a funcionários no activo e em horário pós-laboral, que pretendem assegurar um melhor desempenho profissional. Os cursos na associação vão continuar e serão melhorados. Dentro de dois meses, penso visitar núcleos de empresas para fazer um levantamento junto dos empresários das necessidades ao nível dos cursos de formação profissional. Fazer os cursos para que conste no Relatório Único no fim do ano e a empresa não tenha problemas é uma obrigação, mas se os cursos forem em benefício da laboração e qualidade do trabalho melhor ainda”.

Assumir a direcção de uma associação centenária é para Joaquim Araújo uma honra: “Penso que toda a direcção sente orgulho em representar uma associação com este historial. Pessoalmente, quero que este mandato marque a história da Associação Empresarial da Póvoa de Varzim. Vamos fazer tudo para que isso aconteça, fomentando iniciativas de valor acrescentado. Estamos já a preparar um Natal diferente dos que aconteceram nos últimos anos. Pretendemos chamar gente à Póvoa para comprar no comércio local. Queremos criar uma mentalidade nos poveiros e condições para maioritariamente fazerem compras na Póvoa. É importante tornar o comércio local atractivo e queremos conseguir já neste Natal que os comerciantes sintam os seus negócios, ao nível da facturação, melhorar. Naturalmente, a autarquia tem as suas iniciativas natalícias e nós as nossas, mas se conseguirmos harmonizar a bem da economia do concelho, todos saem a ganhar”.
 
E conclui com um repto: “Quero que os associados acreditem na associação. No nosso programa eleitoral, comprometemo-nos a angariar mais 500 associados novos e recuperar uma grande parte dos que deixaram de o ser. Estamos a trabalhar nesse sentido. Tudo leva a crer que até ao final do ano, possamos aumentar em 30 a 40% o número de associados. Estamos com muita vontade de trabalhar. Penso que todos os cidadãos devem dar um pouco de si à sociedade, foi isso que me moveu. Não sendo um grupo de notáveis é uma equipa de trabalho e isso deixa-me feliz e tranquilo porque tenho a certeza que vamos agarrar o futuro”.

 

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