Voz da Póvoa
 
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Ao Serviço do País e da Comunidade

Ao Serviço do País e da Comunidade

Local | 1924 | 18 Setembro 2019

Armando Ferreira Orgulha-se de Ter Comandado a Escola dos Serviços

A Escola dos Serviços, sediada em Beiriz, na Póvoa de Varzim, é um exemplo de unidade militar capaz de cumprir as regras e orientações de segurança e, ao mesmo tempo, abrir o seu espaço à comunidade ou colocar ao serviço da mesma as suas valências e os seus formandos. Nada disto seria possível se a Escola dos Serviços não tivesse herdado uma parte significativa da formação das extintas Escola Prática de Administração Militar, Escola Prática do Serviço de Material, Escola Prática do Serviço de Transportes, Batalhão de Adidos e Batalhão de Administração Militar, alargando também as suas actividades de formação às áreas de Reabastecimento, Manutenção, Transportes, Pessoal e Secretariado.

Como nenhuma casa nasce do nada ou cresce sem uma orientação, fomos conversar com o Coronel Armando Ferreira, o homem que comandou durante os últimos seis anos a Escola dos Serviços e que está de partida para o curso de General.

“A minha experiência na Póvoa, ainda no velho quartel, começa em Setembro de 1979. Tinha acabado de me formar e escolhi a unidade poveira. Tive como primeiro comandante o Coronel Bacelar Ferreira. Depois, na fase em que foi construído o novo quartel, fiz uma temporada em Penafiel e também o curso de Capitão. Regressei à Povoa já no novo quartel, mas ainda muito despido das condições actuais. Entre outras missões, de 2005 a 2008, estive dois anos em Angola. O certo é que voltava sempre à Póvoa, como aconteceu em 2013, quando fui convidado e nomeado por despacho para as funções de Subcomandante. Três anos mais tarde passei a Comandante, função que desempenho na Escola dos Serviços”.

Armando José Rei Soares Ferreira nasceu em 1964, em Lampaça, freguesia de Bouçoães, Valpaços. Ainda menino veio com os pais, professores, para Famalicão, onde fez a instrução primária e o liceu. Entrou para a Academia Militar a 13 de Setembro de 1983, tendo-se licenciado em Ciências Socio-Militares, especialidade de Administração Militar. Acumula 36 anos a servir o exército e o país.

A saída do comando da Escola dos Serviços era inevitável, refere: “A comissão de serviço de um comandante de unidade é normalmente de dois anos. O meu caso foi uma excepção. A ida para o Instituto Universitário Militar, para fazer o curso de Oficial General, acontece por força do meu desempenho, ao longo da carreira, e pelas avaliações positivas dos nossos comandantes, que concluíram eu ter qualidades e condições para evoluir e chegar mais longe. Chegou a hora de sair, mas nas últimas três décadas, entre outros serviços, unidades e missões, passei cerca de 20 anos na Póvoa”.

No balanço que faz da actividade desenvolvida na unidade poveira, Armando Ferreira orgulha-se da qualidade dos cursos: “O princípio da escola é a formação e a sua qualidade como requisito principal. Ao mesmo tempo, é uma formação certificada que permite aos militares, que fazem aqui os cursos, poderem reunir uma série de competências e serem reconhecidos profissionalmente na vida civil. Também é gratificante ter na Escola dos Serviços a Companhia de Abastecimento e Serviços, que tem uma série de equipamentos e valências, e é responsável pelo apoio logístico, como a área do Reabastecimento e Serviços. Temos as cozinhas de campanha, os atrelados latrina, as padarias, os banhos, o atrelado lavandaria, toda uma série de equipamentos que nos permitem ir para os exercícios militares, em todo o país, apoiar as forças que os solicitam. Estes equipamentos são também solicitados no âmbito civil, por instituições, clubes, autarquia ou escolas, que apoiamos dentro da nossa disponibilidade”.

As valências da Companhia de Abastecimentos e Serviços também têm sido solicitadas para missões internacionais, acrescenta: “A nossa missão na República Centro Africana, que tive a oportunidade de visitar, integra dez homens da nossa Escola dos Serviços, no âmbito da logística, nomeadamente do módulo da alimentação. Temos conseguido que os especialistas da nossa Escola dos Serviços integrem estas missões, um trabalho que também tem sido reconhecido pelos superiores”.

A abertura da unidade à comunidade foi uma das medidas que enriqueceram o seu tempo de comando. “Houve uma directiva do exército nesse sentido. Fruto da minha maneira de ser e de entender que nada temos a esconder, as portas abriram-se de par em par, sem descurar as regras e aquilo que é a segurança de uma unidade militar. Sempre que solicitam uma visita à unidade, estamos sempre disponíveis, a menos que haja alguma missão que não nos permita receber as pessoas. É um dos aspectos positivos sob o meu comando, esta forma de interagir com a comunidade. As pessoas não tinham a noção dos serviços que temos aqui na unidade”, reconhece Armando Ferreira.

Durante o comando que exerceu na Escola dos Serviços, diz ter “orgulho na colocação da Chaimite à entrada da Póvoa, um símbolo do 25 de Abril, em que o país mudou, felizmente para melhor. Também não vou esquecer o convite do padre Nuno para que os militares levassem um andor na procissão de S. José, nos últimos cinco anos. As relações entre o quartel, a autarquia e a comunidade também nos permitem realizar as nossas cerimónias no Largo do Passeio Alegre. Os poveiros acarinham a unidade e os militares. Por isso, temos que saber agradecer e retribuir”.

Em jeito de despedida, o Comandante Armando Ferreira revela: “Em funções de comando estive seis anos, três como comandante. Considero-me uma pessoa feliz por ter comandado esta casa, que comporta cerca de 400 homens, metade militares e oficiais fixos e a outra metade rotativa, que vem de unidades de todo o país. Face à falta de recursos e ao número de missões que existem, os homens que comandei são seres humanos extraordinários e profissionais de mão cheia. Desejo as maiores felicidades ao homem que me vem substituir, o Coronel Torrado, um amigo e excelente profissional. Tenho a certeza que vai gostar da Póvoa. Eu mesmo me sinto um poveiro”.

 

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