
O Posto de Turismo da Póvoa de Varzim acolheu, no dia 4 de Fevereiro, duas exposições “Anel do Romance Poveiro” e uma segunda que estabelece uma analogia entre dois produtos certificados tradicionais portugueses, o minhoto ‘Lenço dos Namorados’ e a ‘Camisola Poveira’, o que levou o Presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Varzim, Ricardo Silva, a lembrar que a Camisola Poveira tem muitos dos seus bordados típicos iguais aos bordados que se encontram nos Lenços dos Namorados. E exemplificou num cartaz exposto: “Os bordados em cima, se repararem, são dois corações com uma chave. Um elemento típico, exatamente igual ao dos lenços dos namorados. Isso acontecia porque estes eram os bordados típicos desta zona do país. Os bordados típicos portugueses, mas, especialmente, os bordados típicos do Minho. E nós, poveiros, estamos aqui mesmo junto ao Minho”.
E acrescenta que “eram os bordados que se usavam nas camisas de Viana do Castelo, nos aventais, nas colchas, em tudo o que se fazia e bordava. Esta ligação entre a Camisola Poveira e este tipo de elementos, também se deve, muitas vezes, a quem fazia as camisolas poveiras, eram as mulheres e deixavam ali um gesto para com o marido que ia para o mar, que tinha muito a ver com o simbolismo da relação que ele tinha com a terra e com a família, mas também havia muitos elementos simbólicos e alguns até religiosos, protectores, como, por exemplo, a cruz com os pássaros, que eram motivos que não só enfeitavam a camisola, mas também eram elementos protectores”.
Na exposição, pode por isso encontrar uma camisola Poveira certificada feita pela artesã dona Cândida, ou seja, “uma Camisola Poveira que cumpre todas as regras, mas só com os elementos do Dia dos Namorados. E daí a Junta de Freguesia apresentar um produto novo que pode ser agora comercializado, que é uma camisola poveira específica para o Dia dos Namorados. Criamos aqui um motor de atractividade. Usamos só os elementos típicos do Dia dos Namorados e da sua simbologia. A chave, que tem a ver com a ligação amorosa, o segredo do amor. A coroa, os dois corações entrelaçados com esta virgulazinha, trata-se da união, o compromisso da pessoa que vai para o mar, mas que deixa um compromisso em terra. As pombas que têm a ver com a transmissão da mensagem de amor”.
Pelo quarto ano consecutivo as ourivesarias poveiras criaram um ‘Anel do Romance Poveiro’ que surge no romance ‘O Poveiro’ de Guerra Leal, editado em 1859. Curiosamente, em 1932, Santos Graça editava um livro de etnografia e história local com o mesmo título. Quem comprar um anel com dois corações do mesmo metal numa das ourivesarias aderentes à iniciativa da Junta de Freguesia, leva de oferta o livro onde pode conhecer toda a história do Anel do Romance Poveiro. “Há ourivesarias aqui, que fazem questão de apresentar propostas diferentes todos os anos”, conclui Ricardo Silva.
Com esta iniciativa da Junta de Freguesia, segundo o Vereador do Turismo, Octávio Correia, “defendemos a cultura poveira e as nossas tradições, mas também há uma interligação com o comércio, que alinha, intervém e participa. E este novo executivo pretende cada vez mais criar dinâmicas, que olhemos todos para o bem da cidade, não importa a cor, não importa quem apresenta, o que interessa é que nós nos unamos para voltar a ter uma Póvoa procurada por muita gente. Ainda hoje, eu e a Gabriela, directora de Turismo, estivemos num outro evento, em Barcelos, a apresentar os fins-de-semana gastronómicos que vamos ter em Maio, e também temos alguns restaurantes da cidade e do Concelho que já alinharam em fazer parceria connosco para estarem disponíveis para divulgarmos as coisas da Póvoa de Varzim. Nós também queremos que as pessoas de fora da Póvoa, quando vierem cá, sintam que há essa união entre todos, porque só assim é que crescemos”.
Fica a sugestão, no Dia 14 de Fevereiro, celebre o Dia dos Namorados e declare o seu amor com o “Anel do Romance Poveiro”.
Por: José Peixoto