Voz da Póvoa
 
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A Procissão e a Fé no Santo Pescador

A Procissão e a Fé no Santo Pescador

Local | 13 Julho 2026

 

Depois da arruada da Banda Musical da Póvoa de Varzim e da Banda de Antas – Esposende, entre o Largo Eça de Queiroz e a Praça do Almada, onde tendo como cenário o edifício dos Paços do Concelho, em afinada partilha interpretaram “S. Pedro Poveiro”. A meio da tarde saiu a majestosa Procissão, que como é tradição figuram os três Santos Populares: S. Pedro, S. João e Stº António. Algumas dezenas de figurantes trajados de anjos e representações de santos que os poveiros se habituaram a louvar, desfilaram também tricanas e o seu par de rusga em representação dos seis bairros tradicionais. As ruas serpentearam-se de fé e de admiração em cada olhar.  

Fotos: JC - CM

 

 

 

Fez lembrar a música dos Trovante “Fiz-me à Cidade”, as ruas deixaram o sossego para depois e as pessoas em pouco tempo se rodearam de uma multidão em todos os bairros. As Rusgas que são a beleza e a tradição das festas bem cantam, mas uma claque aos gritos desencanta quem no passeio, junto à parede espera ver a tradição a encantar com os seus trajes e poemas bairristas.
 
As varandas, essas sim, são decoradas com trajes, miniaturas de lanchas, com predominância para a ‘Fé em Deus’, lanternas, agulhas, redes e outros artefactos do mar. As varandas são a montra das festas, tal como a montra das lojas que se veste com o mesmo empenho e tradição.

A primeira noite herdou a tradição da segunda que agora também se faz, isto porque o São Pedro nasceu à porta de cada bairro, com a oferta de vinho e da sardinha no pão. Não se trata de saudosismo, mas recordo um tempo em que podia sair de casa sem dinheiro, que regressava de barriga cheia e alguma alegria vinícola. Além disso, na praia os ‘casais’ amavam-se de beijos e outros desejos com promessas de futuro ou de espera da onda que vai, da onda que vem. Na manhã dessa interminável noite, os banheiros tinham que acordar muitos foliões derretidos por uma noite ‘sagrada’, cheia de bem me queres. O céu voltou a arder em artifícios de fogo, quer na primeira noitada, quer na segunda onde cada um dá de si no Céu poveiro.

Fotos: JC - CM

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