Voz da Póvoa
 
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A Missão do Bombeiro na Mais Voluntária Solidariedade

A Missão do Bombeiro na Mais Voluntária Solidariedade

Local | 1950 | 15 Abril 2020

Sempre criamos o hábito de associar o bombeiro ao fogo. Nos tempos da nossa meninice, o carro de bombeiros era o brinquedo preferido da criançada. Nos desfiles, sempre olhamos o homem-bombeiro com a admiração dos heróis. E são heróis todos os verdadeiros homens e mulheres que dão o melhor de si sem pensar em receber. O bombeiro não mistura solidariedade com caridade. O bombeiro encara a profissão ou o voluntariado com verdadeiro espírito de missão.

O país não está a arder, os acidentes diminuíram drasticamente, mas anda por aí uma pandemia que transformou por completo as nossas vidas e exigiu dos bombeiros um risco nunca antes experimentado. Por isso, fomos saber como a Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim se adaptou à nova realidade que estamos a viver.

Segundo confirmou à nossa reportagem o comandante da corporação poveira, Francisco Nova, nos bombeiros há um sentido de responsabilidade e risco: “A exemplo de todos os profissionais que trabalham na área da saúde e estão na linha da frente no combate a esta pandemia, os bombeiros também estão sempre sujeitos a contrair uma infecção. Neste momento temos a confirmação de um bombeiro infectado com Covid-19. Estamos numa situação de salvaguarda da corporação para conseguirmos ter pessoal e dar continuidade à nossa missão”.

Para além do trabalho habitual de transporte de pessoas aos hospitais, houve um acréscimo de solicitações: “Havia um trabalho de rotina diária que dávamos resposta, mas ultimamente somos solicitados com mais frequência por pessoas, normalmente idosas, que ao sentirem dores de cabeça, dores musculares ou febre, sintomas associados ao Covid-19, solicitam o transporte ao hospital. As indicações que temos do INEM e da Direcção-Geral da Saúde, em relação a estes sintomas, são para interpretar como sendo suspeita de Covid-19.

Por isso, neste momento, transportamos muitas pessoas com sintomas, mas, felizmente, a grande maioria não se confirma. Também recebemos muitas solicitações hospitalares para transportar para outros hospitais, como Vila do Conde, Pedro Hispano ou São João, doentes confirmados com a infecção”.

Francisco Nova aproveita para agradecer os muitos apoios recebidos por pessoas e empresas: “São sempre bem-vindos. A população reconhece a nossa dedicação e trabalho, que não é de hoje. Nestas alturas, recebemos diariamente bolos ou máscaras. Tivemos também, de uma empresa das Caxinas, a oferta de uns botins para o equipamento de protecção individual, que nos vem ajudar bastante num momento em que há muita dificuldade em arranjar este tipo de equipamento. Vamos resolvendo as situações que enfrentamos com estes apoios. Apenas pedimos às pessoas que nos querem oferecer algo para nos contactarem primeiro, porque nós deslocamo-nos às habitações, já que estamos a restringir ao máximo o movimento dentro do quartel”.


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

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