
Construímos em cada dia uma certa memória futura, quando o caminho nos traz um passado que foi sustento e acima de tudo equilíbrio sustentável para o ambiente. A industrialização do bem comum tornou o excessivo em necessário, as estações numa moda e a reutilização descartável. Quando a modernidade nos atrasa e atrapalha deveríamos ter o bom senso de perceber que a reciclagem deveria começar na cabeça de cada um, porque ninguém é mais reutilizável que o corpo humano.
Não se trata de exemplificar, mas não deixa de ser um bom exemplo. a 6.ª edição do Festival Lavorada arrancou no dia 19 de Junho, e contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, na abertura e na inauguração de duas exposições: “Noticing”, de arte têxtil por Sofia Côr, e “O que podem os lavores”, dedicada ao impacto social e comunitário do projecto Lavorada. E assistiu à tertúlia “Reparar Parar Reparar”, com Sofia Côr, Liana Boeing, Diana Faria e Lara Mafalda. A jornada terminou com o I Concerto para Lavorar, por João Fonseca.
No dia 20 de Junho, o jardim da Biblioteca Municipal transformou-se num convite ao encontro, dedicado aos saberes têxteis, à criação artística e à valorização das comunidades que mantêm vivos os lavores tradicionais.
O evento serviu outros descansos para a cabeça ao partilhar em convívio aprendizagem: Oficinas de crochet, tricot, bordado, macramé e costura, demonstrações técnicas e rodas de iniciação abertas a todos os participantes.
Para que os participantes se sentissem em casa, ao longo do dia decorreu também o Mercado Lavorada, comprar o que nasceu entre mãos e para descontrair havia um bar com petiscos e bebidas.
Nem os mais pequenos foram esquecidos, o Espaço Criançada oferecia actividades manuais e experiências criativas inspiradas no universo têxtil.
Porque a cultura nos ajuda a perceber que o Ser é uma criação individual que pode alimentar o espírito participaram as ‘Cantadeiras do Vale do Neiva’, que interpretam a força da tradição oral e musical minhota, culminando num momento de celebração colectiva ao som do concerto de ‘Os Burricos’, um pé de dança dos presentes bem-sucedido porque dançar é mexer o corpo.
O Festival Lavorada estendeu-se por dois dias, numa afirmação e num cruzamento entre a tradição e a contemporaneidade. Os lavores são simultaneamente património, expressão artística e instrumento de construção comunitária.
Por: José Peixoto
Fotos: CM