Voz da Póvoa
 
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A Igualdade de Género Para Festejar os Dias

A Igualdade de Género Para Festejar os Dias

Local | 1947 | 11 Março 2020

A terra reconheceu-se em vida antes dos seres se tornarem humanos, mas só a entendemos quando percebemos o nosso existir. No tempo das cavernas o macho e a fêmea caçavam juntos e procriavam. Depois os séculos trouxeram o fogo, os objectos evoluíram, a oração trouxe a religião e alguém se glorificou ou acabou diminuído.

Entre guerras e revoluções, também industriais, que acabaram a empregar mulheres, embora com salários à míngua dos pagos aos homens, o mundo não mais parou de construir oportunidades para o género. A independência económica de cada um, mesmo num mundo a dois, passou a ser uma exigente normalidade.

Um olhar à luz da razão obriga-nos a dizer que a igualdade entre mulheres e homens, não só é uma questão de direitos humanos, como de justiça social. O Dia da Mulher continuará a existir enquanto as oportunidades profissionais e de carreira, os rendimentos do trabalho, direitos e obrigações em todas as áreas, seja no acesso à saúde ou ao poder e influência, não forem iguais para ambos os sexos.
O certo é que os dias, que não param de correr, continuam a dizer que os homens já foram ultrapassados em número no ensino, mas continuam a ter mais e melhores oportunidades de emprego. Como é sabido, na mesma profissão, fazendo o mesmo, ganham mais. A diferença salarial acentua-se mais nos quadros superiores e altamente qualificados. Os estudos estatísticos até dão às mulheres mais anos de vida, mas com menos saúde e qualidade. Ou seja, nascer mulher ainda é uma limitação e em muitos países, por questões religiosas, um problema.

A principal mudança é de mentalidades, que a escola ajudará a mudar. Curiosamente, se o tempo antigo fosse capaz de regressar para contar escolheria um casal de agricultores, como se a terra fosse a mãe de todas as virtudes e louvores. O certo é que os dois partilhavam as tarefas do campo, na pranta e na colheita, enquanto os rebentos dormiam ou arregalavam os olhos deitados na giga, pousada no chão ou dentro do carro de bois. Depois, chegados a casa, com a noite a acender no castiçal a vela, cada um seguia as suas empreitadas na incerteza dos ganhos. A mulher nas tarefas da cozinha e dos filhos mais pequenos e o homem no cuidar dos animais. Se vacas houvesse era das suas mãos que o leite crescia no balde ou no cântaro.
É sempre bom festejar, mesmo que seja para reivindicar nada. Calçar o sapato alto, encurtar o vestido e ouvir António Zambujo encantar: ‘Eu quero marcar um Z dentro do teu decote / Ser o teu Zorro de espada e capote / P'ra te salvar à beirinha do fim / Depois, num volte face vestir os calções / Acreditar de novo nos papões / E adormecer contigo ao pé de mim’.


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