Voz da Póvoa
 
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O Isolamento Também se Vive em Paris

O Isolamento Também se Vive em Paris

Geral | 31 Outubro 2020

Antes de mais gostaria de felicitar este jornal, 82 anos é obra, e poucos são os jornais em Portugal que tem esta longevidade. Por isso Parabéns ao jornal A Voz da Povoa, a todos aqueles que o produzem, e um obrigado pelo convite de me fazerem regressar neste texto a uma casa que também pertenci.
Sobre a pandemia e sobre o COVID-19 todos vivemos tempos difíceis, ninguém está imune, mas aqui em França, a situação está particularmente tensa, em relação a Portugal. Aliás as precauções tomadas pelo governo português foram valorizadas e elogiadas, não só pelos média franceses, mas também pela comunidade portuguesa aqui em França.

Os franceses, tal como os portugueses, inicialmente, não tomaram muito a sério este problema sanitário, e algumas falhas (senão muitas!) foram cometidas: como passeios em jardins e em marginais, convívios familiares e com amigos, a não utilização de mascaras e luvas, etc.

Mas, com as restrições e imposições mais severas do governo de Macron, os franceses tiveram que adoptar uma nova maneira de viver, e um clima de medo está instaurado. As pessoas têm medo do contacto, não saem à rua sem olhar desconfiadamente aqueles com que cruzam, e algumas usam máscaras, aquelas que conseguiram arranjar, isto porque estão esgotadas há algum tempo, desde o início da epidemia, e por isso, é um «salva-se quem puder».

A ‘cidade luz’ mais parece uma cidade fantasma! Só os comércios alimentícios ou os take-ways estão abertos ao público; o resto está tudo encerrado. Optamos por apenas um de nós sair para fazer as compras necessárias, que realizamos, não todos os dias, assim evita frequentar um dos locais de maior contaminação, os supermercados. O Carlos sai para fazer compras à abertura do supermercado, na lógica de não cruzar com outras pessoas.

A nível económico, muitas reformas têm sido realizadas, e como funcionários de instituições bancárias temos assistido a uma verdadeira ajuda económica, por parte do governo, mas também da banca, às pessoas e às empresas.

 A nível profissional, as empresas quando possível, propõem o teletrabalho aos assalariados e assim, na minha família, a família Da Costa estamos a viver actualmente confinados em teletrabalho. Temos a sorte que tanto eu (Mónica), como o Carlos Da Costa trabalhamos em Bancos franceses (concorrentes, certo) mas em Bancos que permitem o teletrabalho. Sim, porque existem outros Bancos que não o consideraram, colocando em risco a saúde dos seus funcionários!

Mas, trabalhar em casa com dois pequeninos, - temos gémeos de 3 anos - não é nada fácil! Ganhamos um tempo considerável, a nível de transportes, pois efectivamente não os utilizamos; mas perdemos bastante a nível de concentração e eficiência. E, sem mencionar que quando é necessário realizar um telefonema … os nossos ‘piratas’ não nos dão descanso!

Resistir ao isolamento, às meiguices, às brincadeiras é para nós bastante difícil porque somos uma família muito táctil - gostamos de estar sempre uns em cima dos outros. Mas, há sempre um certo receio que condiciona o afecto.

Em França como em Portugal, o regresso à normalidade, está próximo, se é que realmente vai existir, uma normalidade depois disto tudo … Muitas problemáticas são abordadas, o viver em sociedade, assim como o regresso às aulas e aos empregos. As datas previstas são 11 e 25 de Maio, mas a ver vamos!

O mais difícil é prever, enquanto emigrantes, quando poderemos visitar a nossa terra natal. A nossa Póvoa adorada que tanta saudade nos traz.

Por Mónica Renata Da Costa

 

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