Voz da Póvoa
 
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Em Rates VESTEEDESPE e Torna a Vestir

Em Rates VESTEEDESPE e Torna a Vestir

Geral | 2 Dezembro 2020

As empresas nascem da vontade, mas só crescem fruto do trabalho. A Confecção VESTEEDESPE tem na sua génese uma mão amiga e familiar. “Quando começaram a fazer uns apartamentos em Rates, eu disse para o meu pai que gostaria de comprar um. Trabalhava numa confecção e cheguei à conclusão que iria andar 40 anos a pagar o apartamento. Não quis isso para mim. O meu pai propôs-me ficar com um restaurante, como recusei, acabou por me ajudar a montar uma confecção em sua casa, onde comecei a trabalhar por minha conta, com duas empregadas, a fazer o que faço hoje. Não faço corte nem embalagem, só confecção. Recebo a mercadoria já cortada e monto as peças e sai malhas, camisolas. Em 2000, construi a minha casa e quatro anos depois o pavilhão para montar a fábrica. Aos poucos, fui crescendo e hoje, tenho cerca de 40 máquinas e 25 funcionárias”, recorda Carla Fernandes.
 
Nasceu em 1976, em Rates, foi sempre boa aluna na escola, mas aos 12 anos decidiu trabalhar numa confecção: “Desde o meu tempo de menina que aprendi estas coisas da costura. A minha madrinha tem uma confecção grande e vive numa casa geminada com a dos meus pais. Ela tinha fábrica debaixo da casa, eu vinha da escola e estava sempre lá metida. Fiz o 6º ano e o meu pai bem dizia para eu continuar a estudar, mas eu queria ir para a fábrica. São 32 anos sem conhecer outra profissão. Cresci no meio disto. Actualmente, trabalhamos só para exportação, respondendo a encomendas e respeitando prazos de entrega”.

A pandemia trouxe a necessidade de uma adaptação no fabrico, revela Carla Fernandes: “Nunca parámos. Na semana da Páscoa, tinha cinco moças em casa. Avisei que na semana seguinte não tinha trabalho e algumas funcionárias teriam também que ficar em casa. Na terça-feira, apareceu uma encomenda para fabricar máscaras para França. Era importante continuar a trabalhar, aceitei a encomenda e já não mandei mais ninguém para casa aliás, chamei as outras moças e estivemos a fazer máscaras até junho. Chegámos a produzir entre 10 mil e 11500 máscaras por dia, que permitiam três lavagens. Fizemos também muitas batas para os hospitais franceses. No final de Junho parámos de fabricar máscaras e voltamos à produção habitual”.

Procedimentos que passaram a ser regra em época de Covid-19 “Todas usam máscara no trabalho e agora na rua também. Temos desinfectante à entrada e há uma maior preocupação com a limpeza e higienização dos espaços, trabalhamos de costas umas para as outras e tentamos manter uma certa distância. Reconheço que não foi uma coisa que tivéssemos assumido logo de início, mas quando percebemos que tínhamos que ter regras e uma certa disciplina, fizemo-lo. Temos todas que ter cuidados, aqui e na vida de cada uma. Tive cinco funcionárias a tomar conta dos filhos pequenos, mas paguei sempre, nunca coloquei ninguém em Lay-off, nem recebi nenhum apoio, foi sempre lutar e olhar para a frente. Sou patroa, mas trabalho no meio das funcionárias. Tenho duas filhas e gostava que uma delas seguisse com a empresa, mas para já as coisas não levam esse rumo. Eu sei que aqui trabalha-se muito e os salários são o que são, mas é isto que gosto de fazer desde criança. Sou quem sou e o sonho continua”.

Por: José Peixoto

 

 

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